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O
Fenômeno da Corrida
A
paisagem do motorista das grandes metrópoles
brasileiras ganhou um novo componente. Além dos
carros, ônibus, motos vendedores ambulantes, vemos
também, nas calçadas e parques, pessoas
suando a camisa em suas corridas diárias. Elas
não correm à toa, porque são “loucos
da cabeça”, mas sim porque buscam uma vida
mais saudável, porque seus amigos também
correm, porque querem participar das centenas de provas
de rua organizadas anualmente, porque descobriram na
corrida um esporte livre e desafiador, que possibilita
mobilidade e adequação à agenda
cada vez mais atribulada de quem vive nas grandes cidades.
Elas descobriram, acima de tudo, um novo estilo de vida.
E junto com o número de corredores, cresce o
mercado voltado para esses praticantes. Para entender
e conhecer melhor o mundo das corridas, a O2 preparou
um verdadeiro raio-X do que acontece nesse universo:
onde está e para onde vai.
As assessorias esportivas
Os corredores estão em toda parte: nas ruas,
nos parques, nas academias e também nas assessorias
esportivas, grandes responsáveis pelo crescimento
no número de praticantes de corrida. Além
de planejar e orientar o treino, as assessorias oferecem
acompanhamento de nutricionistas, psicólogos,
massagistas e parcerias com academias, lojas e laboratórios.
"A minha vida mudou desde que entrei para uma assessoria.
Descobri que o esporte me acrescenta valores como amizade
e união", diz a bióloga Cíntia
Coimbra, 33 anos, corredora da Saúde e Performance.
“Em todas as provas eu visto a camiseta da assessoria.
E todo mundo torce para que qualquer colega do grupo
se saia bem", conta.
Na cidade de São Paulo, os profissionais de educação
física especializados em corrida se organizam
através da Associação de Treinadores
de Corrida de Rua (ATC), que cadastra todas as assessorias
esportivas atuantes na capital paulista. A ATC estima
que 5.000 corredores sejam associados das cerca de 100
assessorias cadastradas pela ATC. Só na Marcos
Paulo Reis, são 500 corredores, a taxa de crescimento
anual é próxima dos 10% e a maioria treina
há pelo menos três anos. No Projeto Mulher,
assessoria especializada em treinamento para mulheres,
são mais de 200. Há dez anos, existiam
apenas seis assessorias: a 4any1 (na época chamada
BPM), MPR, Miguel Sarkis, Run&Fun, Run For Life
e Race. Em 2002, ano de fundação da ATC,
eram 28. No início, o objetivo da ATC era reunir
técnicos para trocar informações,
promover o crescimento da profissão e formatar
a utilização de espaços públicos.
“Hoje, nosso plano é organizar esse crescimento
para que ele não seja passageiro. Queremos progredir
com qualidade”, afirma o presidente Cláudio
Castilho.
Os
paulistas também contam com os serviços
da organização não-governamental
Corredores Paulistas Reunidos Corpore), que promove
um circuito com 14 provas por ano. O presidente da entidade,
David Cytrynowicz, afirma que enfrenta dificuldades
em encontrar espaços, mas ainda consegue driblar
esse obstáculo. “O corredor está
ávido por eventos. Como organizadores, temos
de tomar cuidado para que esse crescimento não
nos atropele”, diz. Em 2003, 55.602 pessoas correram
as provas da Corpore. Fundada em 1982, a ONG já
possui 6.000 associados, que pagam uma anuidade de R$50
e se beneficiam de parcerias com lojas de artigos esportivos,
restaurantes, laboratórios e academias.
Em outros Estados, não há entidades que
centralizem dados e profissionais das corridas de rua.
O que existem são clubes de corrida que organizam
provas e mantêm parcerias:
Em Brasília, os Corredores do Distrito Federal
(CORDF) promovem um circuito com dez provas anuais que
têm a participação de seus 350 membros.
“Cobramos R$60 por ano para manter a organização
e tocar os projetos sociais. Ainda não temos
condições de manter treinadores”,
afirma o presidente Adeílton Cavalcanti. Para
isso, a CORDF faz parcerias com profissionais de educação
física que dão desconto aos associados.
Além da CORDF, há outros dez clubes de
corrida na capital federal. Mesmo em número baixo,
os corredores brasilienses são ávidos
por provas fora de seu Estado e do Brasil. Nos seis
anos de existência da organização,
cerca de 6% dos associados realizaram viagens para correr
na Europa, EUA e Argentina. Em provas nacionais, o número
sobe para 30%.
Em Porto Alegre, os principais clubes de corrida são
os Chimarunners e os ZRunners, criados por iniciativa
de pequenos grupos de amigos. Hoje, sob os treinamentos
do técnico Sílvio da Silveira, eles planejam
uma fusão. Ao todo são 40 corredores de
18 a 70 anos. Este ano, o grupo já confirmou
a ida de 14 deles para a Maratona de Berlim. Em 2005,
eles planejam encarar a Corrida do Sol da Meia-Noite,
na Noruega. Mais antigo, os Corredores de Porto Alegre
(Corpa) organizam corridas há 24 anos e atendem
hoje cerca de 300 corredores. A anuidade fica em torno
de R$150, com direito a treinos personalizados e isenção
na taxa de inscrição de provas organizadas
pela entidade como, por exemplo, a Maratona de Porto
Alegre e o Circuito Corpa, que inclui sete provas anuais.
“Há dez anos levamos grupos para a Maratona
de Blumenau e há nove para Curitiba”, afirma
Paulo Silva, presidente da entidade.
Em Curitiba, há nove anos a Associação
Pró Correr (APC) organiza provas com média
de 500 corredores. Uma delas, a Subida da Serra da Graciosa,
é considerada uma das mais penosas do calendário
nacional. A prefeitura municipal da cidade também
investe no esporte ao realizar cinco provas anuais e
na Maratona Ecológica de Curitiba, que reúne
cerca de 2.000 atletas. A APC conta com 1600 corredores
inscritos.
No Rio de Janeiro, há corridas de rua quase todos
os fins de semana, com uma média de 500 participantes
por evento. Para estas corridas, que vivem do dinheiro
das inscrições, a infra-estrutura é
simples: segurança e balizamento do trânsito,
ambulância, água a cada 3 km (em média
dez copos por participantes), frutas no fim da prova
(1kg por pessoa) e massagista. “Quando surge um
patrocínio, oferecemos uma medalha melhor ou
prêmio em dinheiro”, diz o presidente da
Federação de Triathlon do Rio, Júlio
Alfaya. Para a Maratona da Cidade do Rio de Janeiro,
por exemplo, estão previstas estação
de apoio, tenda médica, isotônicos, água,
massagem, lanche e hidratação.
Existem ainda os corredores que preferem não
treinar com assessorias esportivas. É o caso
de Eduardo Groisman, administrador de empresas, 34 anos.
Ele corre há 17 anos sob a orientação
de um personal trainer. Para se informar e se manter
atualizado sobre o universo das corridas, Eduardo costuma
ler revistas especializadas. “Prefiro treinar
sozinho. Não sinto falta de um grupo”,
diz. Ele gasta cerca de R$600 mensais com personal trainer
e com revistas brasileiras e estrangeiras.
As corridas de rua
“A grande diferença entre as corridas de
rua de duas décadas atrás e de hoje é
a qualidade do serviço. Os organizadores pensam
mais no corredor e estão atentos a detalhes como
medalhas e camisetas de boa qualidade, por exemplo”,
afirma o técnico Carlos Gomes Ventura, que na
década de 80 foi treinador de José João
da Silva e Diamantino dos Santos. “Há 20
anos não havia pontos d’água. Tinha
de combinar com um amigo para poder me hidratar durante
os 42km”, conta Paulo Silva, diretor da Maratona
de Porto Alegre. Os 42km porto-alegrenses são
um dos eventos mais antigos do Brasil, e em 2004 completam
21 anos.
“Na primeira prova deste ano, dos 8,5 mil inscritos,
cerca de 13% nunca haviam participado das corridas do
nosso circuito”, afirma Edgard dos Santos, diretor
da Corpore. "É inquestionável o crescimento
do número de provas e corredores em todo o Brasil,
por isso focamos cada vez mais na corrida", afirma
Raul Tichauer, gerente de marketing da Gatorade. “Patrocinando
as corridas, ganhamos visibilidade. Queremos que o corredor
experimente os benefícios do produto na corrida”,
diz. Este ano a Gatorade patrocina 50 corridas no Brasil.
Para cada corredor, eles levam 750ml em provas de 10km,
e 1,5l em maratonas. Numa maratona com 10 mil inscritos,
por exemplo, são distribuídos cerca de
15 mil litros de isotônico.
Segundo dados da Secretaria de Esportes de São
Paulo, as corridas de rua são uma das modalidades
que mais têm crescido na cidade. Em 2002, foram
realizadas 14 provas. Em 2003 o número saltou
para 40, e a previsão para este ano é
de que 50 competições façam parte
do calendário paulista.
A Maratona de Revezamento Pão de Açúcar,
a maior do País no gênero, é um
bom exemplo desse crescimento. Os participantes saltaram
de oito mil em 1999 para 25 mil no ano passado. Em 2004,
os organizadores esperam cerca de 30 mil participantes.
Com tanta gente, os números envolvidos na organização
tornam-se grandiosos: 30 mil camisetas em tecido tecnológico,
100 mil copos de água, medalhas, chips, equipes
médicas, som, buffet, mídia, guarda-volumes,
banheiros químicos e, para organizar tudo isso,
pelo menos 1.500 profissionais. De acordo com Márcio
de Lucca, sócio da Gayotto de Lucca, empresa
que organiza eventos esportivos, gasta-se cerca de R$650
mil para realizar uma maratona com 10 mil corredores.
“Isso se não tiver mídia envolvida”,
diz. Quando ele fala em mídia refere-se principalmente
a propaganda em TV, rádio e revista.
Os negócios gerados com a corrida Pão
de Açúcar são tão bons que
até uma feira acompanha o evento anualmente.
Segundo Luís Leite, da CC&M Comunicação
e Marketing, que organiza a feira, 30 expositores levaram
seus produtos à feira no ano passado. Em quatro
dias, o estande do Pão de Açúcar
Club vendeu mais do que a melhor loja PA Club num ano
inteiro. Outro exemplo está no Rio de Janeiro.
A primeira edição da Meia Maratona carioca
recebeu três mil atletas, no ano passado foram
12 mil e a previsão para 2004 é de 15
mil corredores.
Em 2003, a debutante Meia Maratona da Bahia, já
homologada pela Associação Internacional
das Federações de Atletismo (IAAF), reuniu
1,5 mil corredores e vai dobrar o número de inscrições
para este ano. “Não queremos crescer de
uma vez e oferecer um serviço ruim. A previsão
é que na quinta edição já
possamos expandir bastante”, revela Ruy Pontes,
diretor da BIS-Sports, que organiza o evento. “No
ano passado, estudamos as principais corridas de rua
do país e a Meia Maratona de Lisboa, em Portugal,
uma das principais do calendário mundial nesta
distância. Posso dizer que as ‘meias’
brasileiras não devem nada à portuguesa
em relação à infraestrutura”,
afirma.
O CRESCIMENTO DAS CORRIDAS (número de participantes):
O público
Outra transformação pela qual passou o
mercado brasileiro de corrida foi a mudança do
público-corredor. Há 10 anos, o atletismo
era visto como esporte para profissionais ou para um
público de baixo poder aquisitivo. “Com
a profissionalização das corridas de rua
e o surgimento das assessorias esportivas, a corrida
vem atraindo cada vez mais o público com poder
aquisitivo maior”, explica Mário Sérgio,
diretor-técnico da assessoria Run&Fun.
A participação de brasileiros em provas
internacionais é um bom exemplo disso. Em 1982,
apenas dois corredores brasileiros foram para a Maratona
de Nova York. Em 2001, eram mais de 500. A Maratona
de Paris deste ano, apesar do câmbio desfavorável,
contou com 150 brasileiros. O Grupo Pão de Açúcar,
por exemplo, leva por ano de 80 a 100 funcionários
para uma corrida internacional. “Faz parte da
política da empresa”, explica Eduardo Romero,
diretor de marketing institucional do Grupo Pão
de Açúcar.
O investimento do corredor também é outro
fator importante a ser considerado. Os números
variam entre dois mil e nove mil reais por ano, contando
com assessoria, academia, nutricionista, entre outros
serviços e um par de tênis de 250 reais,
em média.
Uma “onda”?
A questão agora é: a corrida veio para
ficar? Ao observar os Estados Unidos, considerado “o
país da corrida de rua”, temos um longo
caminho a percorrer. Existem lá aproximadamente
40 milhões de corredores, sendo que 17 milhões
participam de eventos organizados. Só nos 12km
de São Francisco são 100 mil corredores
por ano. No Brasil, temos quatro milhões de corredores
com 250 mil participando de corridas de rua. “As
perspectivas são as melhores. Daqui a alguns
anos teremos muitos outros circuitos de corrida no Brasil.
Hoje em dia é normal ver pessoas correndo em
qualquer grande cidade. Se estiver a trabalho ou de
férias há sempre um tênis na mala”,
afirma Romero. “Estamos trabalhando para ter corridas
em todas as praças onde temos lojas Pão
de Açúcar”, completa.
Os milhares de corredores que todo fim de semana têm
tomado conta das ruas começam a girar um negócio
de milhões de reais e a gerar muitos empregos.
Diversas empresas, até mesmo fora do circuito
esportivo, já perceberam o filão e o quanto
é bom ter sua imagem associada a um esporte que
agrega todas as classes sociais.
A Nike do Brasil arrisca fazer uma previsão com
base em seu próprio crescimento. A empresa acredita
que o número de corredores esteja crescendo na
base de 30% ao ano. “Esperamos ter garantido cinco
anos de crescimento forte, que fica em torno de 25 a
30% ao ano”, revela Amadeu Aguiar, diretor de
produto-calçado da Nike do Brasil. A categoria
de tênis para corrida é a maior em volume
de produção da Nike. De junho de 2003
a abril de 2004, essa categoria representou 49% da linha
total produzida pela empresa, um crescimento de 37%
comparando-se com o resultado acumulado de junho de
2002 a abril de 2003. Outra empresa que tem números
expressivos é a Mizuno. Ela produz 100 mil pares
de tênis por mês – 39% deles para
serem usados em corridas. Já a Adidas acredita
que 2004 é um ano decisivo para a empresa. “Este
ano é um divisor de águas para a linha
de corrida da Adidas. Queremos mostrar que somos uma
marca técnica, com produtos de altíssima
tecnologia”, revela Eduardo Corch, supervisor
de marketing esportivo da Adidas do Brasil.
A cada ano surgem novos tipos de calçados, tecidos
ou complementos alimentares focados em quem corre. Esse
é outro ponto no qual esbarra o crescimento do
mercado técnico de corrida: a falta de um varejo
especializado, capacitado a comercializar equipamentos
de alta tecnologia. Algumas lojas surgem com novas propostas.
“Cada unidade tem funcionários treinados
e que praticam o esporte”, afirma Marcos Maltez,
gestor de promoções e eventos da rede
de lojas de artigos esportivos Centauro. Isso sem falar
nas lojas focadas em corredores como a Fast Runner e
a Velocitá, em São Paulo, a IronMan, em
Curitiba, e a Sport Society Running, no Rio. “Em
semana de maratona, as lojas de esporte em Nova York
respiram corrida. E não acho que isso é
difícil de acontecer no Brasil”, diz Sonia
Quintella, diretora de negócios da Mizuno.
Novos investidores
Além de nomes tradicionais em corridas de rua
como Pão de Açúcar, Petrobrás
e Avon, um dos mais recentes a entrar no páreo
foi o Banco Real. “Queremos ficar cada vez mais
próximos do nosso público corredor”,
afirma Fernando Martins, diretor de marketing do banco.
Forte patrocinador da Fórmula 1 e do motociclismo,
o banco resolveu partir para a corrida de rua. Há
um ano fez seu primeiro circuito e até agora
já conseguiu atrair cerca de 40 mil corredores
para seus oito eventos, realizados em todo o País.
“Já é notável o retorno de
imagem que temos, segundo pesquisas que fizemos”,
diz o superintendente de eventos e promoções
do banco, Dílson Motta. “Este será
o ano de consolidação do circuito para
que, em 2005, possamos incluir mais duas etapas”,
afirma José João da Silva, da JJS, empresa
que organiza o circuito. Ele não conta o quanto
o banco têm investido, mas revela que um dos segredos
é a parceria. Reebok, Nestlé, McDonald’s
e Ford são algumas empresas que se associaram
ao banco nos diversos circuitos que realizaram. “A
Reebok, por exemplo, espalhou outdoors por toda Curitiba
para chamar o público para a nossa 1ª Volta
Ecológica”, diz Dílson Motta. “É
um mercado que veio para ficar e ainda tem muito a crescer.
Nossa participação será ainda maior”,
afirma Tullio Formicola Filho, gerente geral da Vulcabrás,
fabricante dos calçados da marca Reebok.
Funcionários corredores
As empresas privadas encontraram na corrida uma ferramenta
para cuidar da saúde de seus funcionários.
“Formar equipes e trabalhar com objetivos é
um fator de aglutinação. Tem ótimos
resultados”, afirma Amadeu Aguiar, da Nike. A
Shell, por exemplo, criou o programa Avi Action para
incentivar seus funcionários a praticarem atividades
físicas. “O programa prioriza a qualidade
de vida: equilibrar o trabalho com atividades de lazer,
melhorando a saúde do funcionário. Eles
ficam mais dispostos no trabalho e mais bem humorados”,
explica Heloísa Legey, gerente responsável
pelo AviAction. A Shell já faz planos. “Estamos
treinando para a Maratona BR de Revezamento, no Rio
de Janeiro, em junho”, diz Heloísa.
O assessor esportivo Alexandre Maximiliano é
o responsável pelos atletas da Shell, já
trabalhou com a Petrobrás e faz treinamentos
periódicos com funcionários da Oi e da
IBM. “Nessas empresas, em média 80 atletas
participam do programa. Os treinos são feitos
ao ar livre, na Lagoa Rodrigo de Freitas e na Barra
da Tijuca, três vezes por semana. Poucos visam
a performance, embora o perfil de maratonista não
esteja descartado. O objetivo é deixar o corredor
satisfeito”, explica. Segundo Maximiliano, o perfil
dos atletas muda de empresa para empresa. Na Petrobrás,
por exemplo, a idade média era de 40 anos, sendo
60% do sexo masculino.
A MPR cuida do treinamento dos funcionários do
Bank Boston, Alcoa, Inpar, Oracle do Brasil, Itaú
Corretora e outras. Já a Run&Fun atende funcionários
da Ericsson, Unilever, Philips, Mastercard e Laboratórios
Ache, entre outros.
O corredor-turista
A busca de novos cenários pelos corredores teve
um salto na década de 1990, quando correr a Maratona
de Nova York tornou-se moda. “Ela ainda vende
mais que o triplo, por exemplo, que Chicago”,
afirma Elisabet Blanco Olival, diretora da Kamel Turismo,
uma das agências de viagens especializadas em
vendas de pacotes para corridas no exterior. Londres
e Paris vêm na seqüência das cidades
americanas.
Interesse em participar de alguma forma destes eventos
vem também de hotéis. A rede Ibis, do
Grupo Accor, fechou recentemente um acordo com a Corpore,
dando descontos para os participantes que se instalem
em alguma de suas unidades. Eles esperam que parte dos
55 mil corredores que participam de eventos organizados
pela Corpore se hospedem em seus quartos.
: : OS NÚMEROS DE CHICAGO
Desde sua primeira edição em 1977, que
contou com 5 mil participantes, os números da
Maratona de Chicago não param de crescer. O evento
conta com a presença de corredores dos 50 estados
americanos sendo que 65% deles não moram no Estado
de Illinois (Chicago é a capital). Os estrangeiros
são 2.852 atletas de 66 países diferentes.
A maratona é hoje reconhecida como um dos principais
veículos de turismo da cidade, já que
foram US$ 90 milhões injetados na economia em
três dias. Quando o Instituto de Arte de Chicago
recebeu seu mais importante evento – Claude Monet
– em 1995, foram US$ 390 milhões em quatro
meses. Os números não são menos
expressivos em termos de premiação. O
primeiro colocado recebe US$ 100 mil (homem e mulher
sem contar os bônus). Este ano a organização
aumentou a premiação para US$ 550 mil
atingindo um montante total de US$ 1,5 milhões,
a maior premiação já paga na história
das maratonas.
:: FRASES
“Queremos mostrar que somos uma marca técnica,
com produtos de alta tecnologia .” Eduardo Corch,
supervisor de marketing da Adidas.
“Queremos ficar cada vez mais próximos
do público corredor.” Fernando Martins,
diretor de marketing do Banco Real.
“Vendemos saúde e, por isso, somos mais
felizes. Além disso, produzimos sonhos e qualidade
de vida.” Sonia Quintella, diretora de negócios
da Mizuno
“A primeira coisa que motivou as pessoas a verem
a corrida como algo bom foi sua simplicidade.”
Amadeu Aguiar, da Nike do Brasil.
“Nosso plano é organizar esse crescimento
para que não seja passageiro.” Cláudio
Castilho, presidente da ATC.
“Vivemos uma fase absolutamente voltada para saúde
e o crescimento da corrida.” Márcio De
Luca, sóciodiretor da Gayotto De Luca.
“Vejo três grandes fatores na corrida: o
cuidado com a saúde e com a estética,
a influência internacional e a influência
das novas empresas organizadoras.” Tullio Formicola,
da Reebok do Brasil.
“O
foco da corrida mudou. Antes era competição,
hoje, é comportamento.” Armando Santos,
diretor da Corpore.
“As
perspectivas são as melhores, esse é um
caminho sem volta.” Eduardo Romero, diretor de
marketing institucional do Grupo Pão de Açúcar.
REVISTA
O2 - ED 14
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