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AVENTURA: VEJA COMO FOI A VOLTA NA ILHA DE FLORIANÓPOLIS À BORDO DE UM HOBIE CAT 16!!!
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Resenha |
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Tripulação
VOLTA DE HOBIE CAT 16 NA ILHA DE FLORIANÓPOLIS |
Ficha Técnica:

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1. Barco: Hobie Cat 16
Origem: Estados Unidos
Projetista: Hobie Alter
Comprimento: 4,9m
Boca: 2,4m
Área Vélica: 20,3 m²
Tripulação: 2 pessoas
Introduzido em 1970, é uma versão maior do HC14. É o catamaram mais vendido no mundo, aproximadamente 70.000. Excelente para regata, diversão e para se ter na casa de praia. Barco de nível avançado, por atingir altas velocidades e utilizar duas velas e trapézio. |
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2. Timoneiro: Mario Roberto Arantes Dubeux(À direita na FOTO)
Proeira: Karoline da Silva Bauermann(À esquerda na FOTO)
3.Partida: 6:15hs (Jurerê)
Chegada: 16:20hs (Iate Clube do Centro de Florianópolis)
Dia 07/02/2008 |
PERCURSO DA AVENTURA:
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UMA SEMANA ANTES
Chegamos a Santa Catarina no dia 27 de janeiro. A idéia seria conseguir realizar a façanha de dar a VOLTA À ILHA DE FLORIANÓPOLIS, antes do carnaval, já que durante o feriado participaríamos do CARNACAT. |
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Na segunda-feira, dia 28, até que o tempo estava “meia boca”, com o sol se mostrando de cantinho, entre nuvens, mas deu para dar uma velejada bem legal ali mesmo entre as praias de Canasvieiras e Jurerê.
Já que o Iate Clube de Santa Catarina não quis – dizem que não puderam - nos recepcionar, colocamos nosso barco numa guarda náutica ali em Cachoeira do Bom Jesus, pagando a “bagatela” de R$ 40,00 por dia. Sim, porque a procura é tamanha que queriam nos cobrar R$ 55,00. Mas, o chorinho mais uma vez funcionou.
A proeira (Karol) estava com certo medinho do mar e precisávamos quebrar esse obstáculo. Já que na minha lei a medida é toda, sentei o pau na máquina e esticamos um bordo até Jurerê Internacional.
Na frente da P12 (mais um empreendimento da noite catarinense) fizemos um contravento aberto e atravessamos, fomos até a baia dos golfinhos. Havia muita onda e vento bom (fortinho). E o barquinho pulava que nem um filhote de cabrito brincalhão!
- Como é bom voltar aqui, pensei comigo!
Mas, como alegria de pobre dura pouco, já no dia seguinte São Pedro resolveu abrir as portas do céu e nos mandou água à valer. |
E tome água.... E mais água... E água demais!

Foram três dias e meio de chuvas incessantes e ventos fortes... E a agonia batendo.

Pensei com meus botões: Que danado vamos fazer numa praia, querendo velejar, mas com uma chuva dessas? Descansar sim. Mas simplesmente comer e dormir, estava fora de cogitação.
Então decidimos pedalar. A primeira pedalada totalizou 43 km. |
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A segunda, debaixo de chuva, foi entre Jurerê e a Praia Brava, somando algo em torno de 25km e deixando inutilizados - por conta da sujeira - nossos tênis e roupas de bike.
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Depois, o resto da semana até a sexta-feira foi só de trabalho virtual, já que advogado (profissional liberal) não tira férias, comilança, descanso físico, shopping e essas coisas que se faz na praia quando o tempo simplesmente não colabora.
Foi água para ninguém botar defeito. Na véspera do Carnaval, as chuvas que atingiram Santa Catarina naqueles últimos dias deixaram cidades debaixo de água, dentre as quais destaco: Florianópolis, Itapema e Balneário Camboriú, algumas das que mais atraem turistas para a folia. |
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Chuva para ficar na história, notadamente aquelas que despencaram na quarta e quinta-feira. Trinta e dois municípios decretaram situação de emergência e dois, estado de calamidade pública (Navegantes e Jaraguá do Sul).
Vide noticia veiculada na Folha On Line:
“…Durante as tempestades, 3.150 pessoas foram resgatadas de áreas de risco pelos bombeiros em Florianópolis, São José, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz e Biguaçu. Ao todo, 508 ocorrências foram atendidas pelos bombeiros nesses municípios, na quinta e ontem.
Só na capital, 261 pessoas estavam desabrigadas e 77 casas ficaram comprometidas, a maioria em áreas de risco.
Trechos da BR-282 e da BR-101 tiveram que ser interditados durante o dia. A chuva que caiu nos últimos dias chegou a 400 milímetros, maior que os 300 milímetros registrados em 1995.
"Estamos ilhados, não conseguimos sair de casa há 24 horas. Os rios que deveriam escoar as águas estão aterrados pelos empreendimentos imobiliários do bairro", diz Consuelo Requião, moradora do bairro Jurerê Internacional, na capital. ...”
Apesar das chuvas, que deram trégua no início da tarde da sexta-feira (01/FEV) nosso propósito de empreitar a missão de dar a volta na Ilha de Florianópolis se mantinha de pé.
É claro que o moral da tripulação andava um pouco abatido, depois de tanto planejamento e da perspectiva de não conseguir realizar o que viemos fazer, justamente por conta do mau tempo. Eu particularmente senti meu objetivo escorrendo pelos esgotos junto com aquelas chuvas. |
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Contudo, taurino de carteirinha, me mantive teimosamente firme na idéia de me largar de mar a dentro, nem que fosse debaixo d’água. Mas a “idade” cronológica – sim porque a minha idade mental muitas vezes não passa dos 15 anos - nos ensina a ter relativa prudência. Pois é, dizem que prudência e sopa quente não faz mal a ninguém.
E aquela lestada chuvosa (ventos que sopram do leste) estava tornando a pretensa missão muita arriscada. E a razão me dominou e me pediu cautela.
Mas, a idéia fixa, ao menos na mente desse que tenta descrever essa experiência, continuava martelando na cabeça.
- Ôxe! Nem que seja a ultima coisa que farei aqui ou, mesmo que tenha que ficar mais uns dias em floripa... O fato é que eu vou dar a volta nessa danada de ilha dessa vez. (Mario)
- Mariôooo.... já estou ficando pilha fraca. Tem tanta coisa atrapalhando que nem sei se quero mais dar essa tal de volta. Mas, ao mesmo tempo, se viemos aqui para isso, vamos tentar até o último minuto. (Karol)
- É assim que se fala. Somos uma dupla de lascar.. E nós vamos sim. E vamos ter o que contar pra esse monte de gente que não acredita em nós. (Mario)
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45 MINUTOS DO SEGUNDO TEMPO. GOOOL! |
Competimos durante o CARNACAT e não nos demos muito bem nas regatas, apesar de algumas boas colocações. Até estivemos em primeiro em duas delas, mas não agüentamos a pressão dos fortes adversários. No entanto, nada como um campeonato atrás do outro. Eles que nos aguardem. Tivemos problemas com o barco (o mastro caiu) e isso de certa forma comprometeu o resultado final.
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Mas, e a volta na Ilha? Essa idéia não me saía da cabeça. Acabou o carnaval e agora é o vento que não ajudava. Andava fraco e rondado (mudando bruscamente de direção), não dando a segurança necessária para iniciar a travessia.
- Que saco isso! Tem vento e chuva demais, ou tem sol e vento de menos. É oito ou oitenta! (Mario)
- Que esporte danado esse que fui arrumar pra mim....!!!!! (Mario)
E a turma do contra tocando flauta e botando pilha e areia na nossa idéia. Diziam mais ou menos assim:
- Vocês estão ai pra tirar férias. Que volta a ilha que nada. Vão se mudar é?
- E ai seu viado, não trabalha mais não é? ( Como se advogado – profissional liberal – conseguisse tirar férias... ).
- Isso ai não vai dar certo. Não tem apoio, não vai ninguém junto. Vocês dois são uns doidos.
- Essa lestada forma muitas ondas grandes. Não é legal.
E, blá, blá, blá...Esse foi o tom de alguns dos “apoios” recebidos.
EU VOU!!!!!
Não sabem eles que ninguém me tira as coisas da cabeça. Como bom taurino sou teimoso o suficiente para remar contra a maré, se meus impulsos ou emoções nessa direção me apontarem. Sou um louco apaixonado! E quem estiver comigo tem que entender esse espírito, senão endoida.
quarta-feira (06/02)
Vento fraquinho pela manhã. Mar espelhado. E só faltam dois dias para voltar para Porto Alegre.
Como precisei ir no aeroporto e, após, arrumar umas coisas, ficou tarde e decidi transferi a “indiada” para o dia seguinte.
Havia dado uma olhada na previsão do tempo e tudo indicava melhores condições para a quinta-feira. Mas, falar em previsão de tempo em floripa chega a ser uma piada, sem graça, claro.
Assim, adiando novamente a coisa toda, decidimos pegar uma praia na quarta, descansar bem e enfrentar a travessia na quinta, bem cedo. Seria meio que no vai ou racha. Derradeira tentativa, já que eu prometi a mim mesmo que voltaria para Porto Alegre na sexta-feira. E palavra é palavra. |
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A quarta-feira foi de um sol bem gostoso. Relaxamos na praia, tentamos bater uma bolinha com o frescobol , e até decidimos fazer uma trilha pelas pedras, tudo para ocupar o dia.
Mas, cadê o risco? Como é que se pode gostar tanto de viver perigosamente?!?! Ou será um vício? Preciso levar isso para a terapia.
Como se fazer tudo aquilo não bastasse resolvi descer pelas pedras para tomar um banho ao sabor das ondas. Achei que não ia dar nada, já que notei que as danadas não estavam batendo muito forte. E, além do mais, aquela água verdinha estava me chamando.
Então resolvi descer as pedras e pedi para a Karol registrar o momento, batendo umas fotos.
E que momento! Veio-me uma onda – praticamente um tsunami (sou exagerado) - que literalmente lambeu minhas pernas, me derrubando e puxando. Cai de bunda (arranhei a bichinha) e de quebra tomei um caldo. Tentei me segurar para não ser arrastado e ainda por cima rasgar minha sunga novíssima, mas findei por perder um pé de chinelo legalzinho e meu anel de bali.
Resultado: Êita banhinho caro da peste! |
Saldo:
- Bunda arranhada (baratinho para reparar).
- Anel de Bali = R$ 70,00
- Chinela “havaianas”, aquela que dizem que “não soltas as tiras e não tem cheiro = R$ 40,00
- A cara de bunda do Mario, segundo a Karol ... não tem preço (hahahaha).
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A TRAVESSIA
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quinta-feira (07/02)
Juro que pensei em desistir. Mas, acordei às 4:45hs da madrugada. O vento estava assoviando pela janela. E soprando daquele jeito naquela hora seria o sinal de muito mais vento mais tarde. E como vinha da direção nordeste ou leste, não sabia ao certo, era um fator preocupante. |

Foto da janela, quando acordei, às 4:45hs
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Mas, o negócio é tentar pentear o cabelo (árdua tarefa. Melhor botar um boné), desamassar a cara, comer um pãozinho básico, juntar as trouxas e partir para a aventura.
- Acorda danada, vamos nessa. Deixa de preguiça. (Mario)
Esse foi o tom para levantar o moral da “tropa” (dupla).
- Vamos embora que temos que sair pelas 6hs e ainda precisamos comer e armar o barco. (Mario)
- Temos que passar pela praia Brava antes do dia amanhecer. Bora, Bora, vamos! (Mario)
Pegamos o carro e fomos até o terreno onde estava estacionado nosso reboque. Apanhamos o material, nos dirigimos para a praia e montamos o barco em aproximadamente 30 minutos. O fato é que por volta das 6:20hs estávamos entrando no mar ondulado de Jurerê.
No barco levamos uma sacola contendo roupas, água mineral e uma ração a base de castanha do Pará e passas. Só que não conseguimos comer a bendita mistureba – e passamos fome por isso - justamente porque ficou dentro da tal sacola, que por sua vez estava super amarrada e envolta num saco plástico de lixo. A preguiça de abrir o saco era maior que a fome. |

Foto: Ilha do Francês (Canasvieiras) ao fundo. O dia amanhecendo. |
O vento estava de intensidade média mas necessitava de ao menos um trapézio. No entanto, o mar se apresentava bem revolto, com ondas significativas. Na saída, talvez em razão do horário, o tempo estava razoavelmente frio, tanto que nos equipamos com essas roupas de proteção (vide fotos).
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PRAIA BRAVA E INGLESES
Por volta das 7:30hs cruzamos ao largo da Praia Brava. Realmente contornar aquele ponto com vento leste não é fácil. O mar é muito bravo e as ondas dão um certo frio na barriga. Mas, tínhamos que afastar o medo e eu, na condição de comandante, não poderia transparecer fragilidade. Se resolvemos entrar na jaula do leão, que então morramos abraçados com ele. |
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Telefonei para o enfadado Schneider (7:40hs) e acordei o chucrute. Ele, junto com a Helena e o Adriano, estava ficando na Praia Brava:
- Acorda porra de uma figa, isso é hora de gente está dormindo? (Mario)
- Que é seu baitola? Vai dormir. (Schneider)
- Tô aqui na frente da tua casa (Mario)
- No portão? Já vou ai. (Schneider)
- Que portão ô cacete, no meio do mar, bem no fundão, dá uma olhada ai. Eu não te falei que eu ia fazer essa porra de travessia? Eu sou fodão! (Mario)
- Tu és doido cara. O Halla me disse que nessa lestada as ondas são enormes. (Schneider)
- Então eu surfo elas. Te ligarei durante o percurso. Volta pra caminha seu jóquei de gibóia. (Mario)
Ao chegarmos em Ingleses o tempo começou a virar. Muitas nuvens no horizonte. Clima pesado. E foi-se o ventinho que até então nos brindava com sua companhia. Comecei a achar que estávamos nos metendo numa roubada. Mas, voltar seria humilhante.
Com o vento virando cada vez mais para leste, tivemos que fazer o percurso num ¾ (um popa fechado). O que nos obrigava a ficar dando jibe’s (manobra de cambada no vento que vem quase por trás). Teve momentos que o que nos empurrava para frente eram as ondas. Elas e a vontade de chegar, claro.
Daí comecei a ficar preocupado, já que estávamos próximos do Costão do Santinho. Um lugar lindo de se ver, da praia. Passar por ali, sem vento e empurrado pelas ondas dá um certo desconforto, para não dizer um certo aperto num determinado “local” do nosso corpo.
E se o barco fosse empurrado em direção a arrebentação? Não se tinha muita coisa a fazer. Seria torcer para que a proeira tivesse de bem com os Santos, já que eu faz tempo que não apareço numa igreja.
Naquela altura do campeonato aconteceu o primeiro stress na tripulação. A proeira reclamando que estava enjoando. Eu dizendo que ela sabia o que ia encontrar e mesmo assim quis ir. Ela falando que eu sou um grosso. Eu dizendo que ela é uma criança chorona. E por ai vai...
MOÇAMBIQUE
Vencida a etapa do Santinho e vislumbrando a enorme praia de Moçambique, o astral melhorou bastante. Água clarinha e com pouca ondulação. Ao menos fiquei mais tranqüilo porque havia praia ao invés de costão de pedras.
Ali recebemos a primeira das três ou quatro ligações do novo amigo Chico, dono do Mercado Jardim, que fica ali em Canasvieiras. Uma pessoa gentil e muito solicita. Nos monitorou o tempo inteiro, através de telefonemas. Muito bacana a atitude dele e gostaria de deixar isso registrado aqui e agora.
Mas, voltando ao barco, lembro que a Karol praticamente chorava pedindo para pararmos numa praia, pois estava enjoada demais. Olhos caídos. Cabelos desgrenhados. Mau humor do cão. E eu tentando enrolar a danada. Mas a bicha é geniosa.
- Está bem. Vamos dar uma cambada em direção a praia e ver se temos condições de parar. (Mario)
- Mariôooo. Você não entende. EU ESTOU ENJOADA. Preciso sair deste barco. Preciso parar na praia. (Karol)
- Karolzinha, minha querida. Eu só vou parar se tivermos condições de voltar. Se tiver onda alta, sem vento, eu não consigo sair da praia e nós vamos ficar ali no meio do nada é? (Mario)
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Foto: Karol, enjoada e p. da vida comigo. No fundo, Moçambique. |
BARRA DA LAGOA
E nisso fui cambando e enrolando a enjoada proeira até que chegamos na Barra da Lagoa.
Havia uma escolinha de surfe e nós descemos a onda, do ladinho do farol, aterrizando na praia. E falo aterrizando porque pelo olhar das pessoas aquilo mais parecia uma nave vinda de outro planeta.
Logo apareceram os curiosos hermanos argentinos para sacar umas fotos enquanto a Dna. Karoline saia de roupa de borracha pelo meio da rua atrás de um remédio para enjôo.
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Depois de uns 30 minutos e de eu já ficar puto com a espera, vem a moça me chamando e dizendo.
- Mariôooo, vem cá. Vem cá. (Karol)
Eu não entendi nada.
- O que tu queres? Vamos logo mulher. Tu demora demais. (Mario)
- O cara da farmácia me deu um Dramin e depois que eu tomei aquele imbecil me disse que ia me dar sono. (Karol)
- Daí eu falei umas três vezes...tu ta brincando comigo né!?!?! (Karol)
- O que tu queres que eu faça agora? Que aperte tua barriga pra tu vomitares ou vá lá dar uma porrada no cara da farmácia? Tu ta me tirando pra tabacudo mulher, me deixando esperar esse tempão e vir com essa papo furado ai. Sobe nessa porra logo e deixa de enrolar...aproveita e dorme no barco. Temos um monte de caminho pela frente. (Mario)
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Saímos da praia sem grandes dificuldades, apesar das ondas e do monte de aprendiz de surfista na nossa frente. Pegamos um pequeno contra vento e fomos em direção a calheta.
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CALHETA, PRAIA MOLE E JOAQUINA
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Esses três obstáculos foram vencidos na persistência. O vento estava fraco demais e não havia como parar. Muitos rochedos e praia com muitas ondas não nos deixaram pensar em aportar em nenhuma daquelas três praias.
Eu já estava pensando em desistir e parar na primeira praia decente que encontrasse. A idéia seria deixar o barco numa praia daquelas, pegar uns ônibus de volta a Jurerê e mais tarde voltar para buscar o barco, de carro e reboque.
Apesar do enjôo da proeira haver melhorado, o sono provocado pelo remédio era um novo obstáculo para ela. Não achava graça em nada. Não queria beber. Não queria comer...mas com o tempo resolveu beber um pouco de água e comeu uma maçã.
CAMPECHE
Daí surgiu um resquício de sol e com ele um ventinho suave. E a reboque, a esperança. E a ilha do Campeche, que tempos atrás mais parecia uma miragem, agora crescia diante dos nossos olhos, para tentativa de alegria da já sofrida tripulação. |
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Empurrados pelo vento e pela vontade de ancorar e descansar um pouco, nos fincamos no firme propósito de parar na ilha do Campeche e decidir se iríamos parar em definitivo na praia com o mesmo nome, na praia da Armação ou, se o vento melhorasse, seguiríamos em frente.
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- Mario. Isso é Fiji. (Karol)
- Pois é...que água limpinha. Que lugar lindo. (Mario)
Logo fomos interceptados por uma jovem fiscal (monitora) nos pedindo para tirar o barco da praia, dizendo que era proibido e coisa e tal. Falei que estávamos ali esperando o vento e ela entendeu. Aliás, ficamos conversando um bocado e no final até dois beijinhos eu dei na danada. |
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Ela me explicou das belezas da ilha, de como o ambiente é preservado, da introdução dos quati’s naquela reserva. Disse que eram mais de 400 animais. Muitos deles ladrões de bolsa e celulares dos turistas. Mas, a maioria gosta mesmo é de um biscoito traquinas.
Passamos uns 45 minutos ali na ilha. O tempo necessário para avaliar as condições e decidir pela continuidade da empreitada, ao menos até um pedaço mais.
Dali se avistava um grande paredão de rocha. A nossa idéia era seguir viagem até Pântano do Sul, já que lá seria melhor para comer e deixar o barco, já que as águas são calmas. De lá até Jurerê, segundo a informação da jovem monitora da ilha, seriam 4 (quatro) ônibus. Essa informação talvez tenha sido determinante mais adiante. Porque pegar 4 ônibus era danado! |

Foto: Saindo da ilha em direção a Pântano do Sul |

MORRO DAS PEDRAS, ARMAÇÃO, MATADEIRO, LAGOINHA DO LESTE |
Por essas praias passamos ao largo. Não chegamos nem perto da costa, devido aos ventos fracos e forte corrente, o que nos obrigou, por cautela, a manter o barco afastado dos paredões e arrebentações.
Armação é uma praia super charmosa. Me parece um bom local de veraneio. O ponto negativo é a pouca areia de praia. Morro das Pedras nem deu para notar. Matadeiro me pareceu ser uma praia pouco habitada. Notei uns gatos pingados por lá, vendo de longe. Talvez devido ao tempo ruim.
Estávamos buscando Pântano do Sul. E o vento fraquinho nos fez afastar da costa por alguns instantes. Era um constante aproximar e afastar. E num desses movimentos de afastamento vislumbramos as três ilhas que nos conduz ao ponto da curva da Ilha de Florianópolis (naufragados).
Então decidimos conferir. Na verdade, estávamos procurando Pântano do Sul e como entramos muito no mar, vislumbramos a possibilidade de tentar fazer a curva na ilha, ao invés de terminar a missão ali em Pântano do Sul.
E não deu outra. Por volta das 14:09hs finalmente chegamos na pontinha da Ilha. Um lugar sinistro e com forte corrente e que muitos me avisaram tratar-se de um local perigoso. Ali o vento já passava de través para quase contra vento. |

NAUFRAGADOS |
Na verdade ao chegar nesse ponto da viagem nós estávamos meio que perdidos. Havia um grande catamaram a nossa frente que estava fazendo, a motor, o mesmo trajeto. Mas, devido a grande quantidade de morros e ilhotas por ali, realmente não sabíamos se realmente se tratava da curva da ilha.
Decidimos contornar aquele ponto e ver o que havia do outro lado, já combinados de que se não fosse a tal de PONTA DOS NAUFRAGADOS iríamos parar na primeira praia e pronto.
E foi uma alegria quando contornamos a ponta da Ilha de Florianópolis. Dali avistamos o movimento da BR 101 e bem ao longe um vulto de prédios, sinalizando trata-se do centro da capital catarinense.
- Ufa, conseguimos. Agora o que vier é lucro. (Mario)
- Nunca imaginei que gostasse tanto de andar num trapézio. Isso é bom demais. (Karol)
- Vamos lá danada. Agora é lenha na máquina e vamos botar pra moer. (Mario)
Com o ânimo revigorado, passamos a fazer o ziguezague normal de um contravento e fomos em direção da ponte, cartão postal de floripa. Mas, o ventinho LESTE apertou bastante depois do Pontal do Massiambu. E tome trapézio. E tome banho na cara. E tome frio.
O primeiro bordo deu na Ponta do Morro dos Cavalos (Continente); O segundo bordo nos colocou de cara na Ponta da Tapera (Ilha); O terceiro bordo fomos até a Ponta da Enseada (Continente); O quarto bordo nos colocou de cara com a Praia da Ponta (Ilha); O quinto bordo nos levou até a Praia de Fora (Continente); O sexto bordo nos colocou na cara do Ribeirão da Ilha (Ilha); O sétimo bordo nos levou até o Pontal da Coroa Grande (Continente); O oitavo bordo – e já quase mortos de dor nas costas – nos colocou da Ponta do Capim (Ilha); O nono bordo nos levou até a Ponta do Maruim; O décimo Bordo nos levou até pertinho do Iate Clube de Santa Catarina, que fica bem próximo da ponte Hercílio Luz. |
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Finalmente chegamos a conclusão de que seria interessante deixarmos o barco no Iate Clube do Centro. Estava ficando tarde (16:30hs) e nós muito cansados. Não comemos nada durante o dia, já estávamos no ar desde as 4:45hs e o corpo não suportaria avançar até Jurerê. Seriam mais uma hora e meia ou duas horas de contravento. E como eu já havia feito essa parte da travessia achei muito arriscado seguir adiante, ainda mais devido a inconstância do tempo.
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Foto: Descanso da guerreira. E o mapa da ilha, em pedaços. |
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Foto: Cara de satisfeito após a missão cumprida e depois de comer aquele sanduíche no Iate Clube. |
AI VÃO ALGUMAS DICAS QUENTES
Para aqueles que se meterem a fazer semelhante indiada, segue algumas dicas que talvez sejam úteis:
- Não veleje solitário. A travessia tem pontos muito perigosos. A quebra de um stay, por exemplo, pode ser fatal;
- Levar bastante água;
- Uma refeição à base de castanha e passas é uma boa idéia;
- Tome um remédio contra enjôo antes de sair. Mas, não tome um desses que vá lhe dar sono;
- Leme uma máquina fotográfica e um estojo especial para não molhar;
- Levar um leme de reserva e algumas peças fáceis de quebrar;
- Amarre o tope do mastro. Se a adriça quebrar ao menos a vela não baixa;
- Não veleje perto das encostas. É perigoso e a corrente é grande;
- Levar celular e/ou rádio amador, se for o caso;
- Levar um sinalizador;
- Sair cedo, por volta das 5:30hs;
- Coragem e determinação serão bem vindos.
Bons Ventos!
Mario Roberto Arantes Dubeux
Have a Hobie Day!
Flotilha Gaúcha de Hobie Cat 16
30 anos de HC 16 |
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