Desde
quando é técnico de corrida?
Me formei em 1994 pela UniFMU e no mesmo ano comecei
a dar treinamento. Na época comecei com
duas alunas: minha ex-namorada Marlene e Alda,
uma veterana muito dedicada e conhecida que está
comigo até hoje.
O
que o estimulou a se tornar um técnico
de corrida?
No terceiro ano de Curso de Educação
Física decidi ser um técnico, pois
sempre tive uma paixão em ajudar os outros
e me sentir útil. Vale ressaltar que encontrei
duas grandes dificuldades no começo da
minha carreira. Primeiro logo que entrei na Faculdade,
pois fui muito criticado pela minha família
e amigos por ter trocado uma profissão
certa e segura por uma incerteza onde muitos me
diziam que isso não era profissão
e que ia morrer de fome. E segundo, quando me
formei e montei a minha equipe, pelo fato de não
ter sido um bom atleta de performance era muito
humilhado pelas pessoas, dizendo que também
não seria um bom técnico.
Isso me deu mais forças e me estimulou
mais e hoje consigo provar que para ser um bom
treinador não precisa ser um bom corredor.
Hoje tenho orgulho por tudo que conquistei e onde
cheguei.
Você
acredita que ainda estamos em uma crescente e
muitas pessoas ainda vão aderir ao esporte?
Sim, com certeza. Hoje considero a corrida o esporte
do futuro, pois é um esporte barato, as
pessoas saem dos seus empregos de ambientes fechados
e encontram satisfação em treinar
em ambientes abertos, além de formar novos
ciclos de amizade.
Tivemos
uma prova infantil e alguns atletas eram da sua
equipe. Como você faz o seu trabalho com
as crianças?
Hoje trabalhamos com algumas crianças e
sempre procuro deixar claro aos pais que tem que
partir da criança o desejo em começar
a correr. Segunda parte é o treinamento,
nunca deixe que isso vire uma obrigação
e sim um lazer e divertimento.
Qual
é a idade ideal para se iniciar um treinamento
com crianças?
Não tem idade, basta querer participar
desde que de uma forma descontraída, sem
responsabilidades.
Uma
vez conversando você me falou sobre um trabalho
social que desenvolve em sua assessoria. Nos conte
um pouco sobre isso.
Como trabalhamos muito com atletas carentes e
infelizmente não temos patrocínio,
adotamos algumas campanhas: Doe seu tênis
usados, onde recolhemos toda semana tênis
usados e que ainda estejam em bom estado e repassamos
aos nossos atletas. E vale salientar que não
somente tênis, mas sim agasalhos, shorts,
meias, roupas sociais etc. Temos a Corrente do
Bem, que é uma campanha onde recolhemos
de R$ 5,00 a R$ 10,00 por mês das pessoas
interessadas e depositamos em uma caixinha e esse
dinheiro será usado nas inscrições
desses atletas. Geralmente damos preferência
ao circuito Corpore por ter provas bem organizadas,
por esse motivo que temos tantos atletas disputando
o campeonato. Cestas básicas: Vários
atletas nossos fazem doações de
cestas básicas a outros atletas; Viagens:
Faz 8 anos que organizo pacotes de viagens aos
corredores, pois em cada viagem faço questão
de oferecer cortesia para algum atleta nosso carente
e é muito gratificante de poder ajudá-los
e ver a cara de felicidade estampada em cada viagem,
muitos deles sequer saíram de São
Paulo ou conheciam praia; Lanche na Corrida: em
dias de prova, onde montamos nossas estruturas
cobramos uma taxa de R$ 3,00 de cada um e montamos
um verdadeiro café da manhã com
café , biscoito, isotônico, bolacha,
frutas, sanduíches e ao final do evento
doamos o resto dos lanches a nossos atletas carentes
e um deles uma certa vez veio me agradecer dizendo
que aqueles sanduíches serviram para alimentar
sua esposa e seus três filhos naquele domingo.
Não é de apertar o coração?
Um fato interessante notei quando passamos a fazer
esses lanches, diminuíram atletas nossos
passando mal, ou seja muitos iam para a prova
de jejum por não terem o que se alimentar.
Doações extras: Algumas pessoas
que fazem questão de ajudar, porém
não querem se identificar, fazem doações
de uma valor mais alto R$ 200,00 – R$ 300,00
para ajudar com inscrições e viagens.
Mensalidades: Os atletas carentes faço
questão de não cobrar as mensalidades,
porém para eles não se sentirem
constrangidos ou diferentes dos demais, faço
questão que me ajudem com montagem das
tendas e desmontagem, dobragem dos panfletos da
equipe, panfletagem e tudo que venhamos a precisar
de ajuda e eles fazem com orgulho e amor inclusive
um deles sempre faz questão de levar amendoins
aos treinos e distribuir aos seus colegas de equipe
e outro leva mandioca cozida e quentinha para
os atletas saborearem.
Enfim são pequenas coisas que realizamos
e muito grande para esses atletas. Por esse motivo
que nossa equipe não é simplesmente
uma assessoria e sim uma família, unida
e de muitos com coração bom. Mas
ainda tenho um sonho de conseguir um patrocínio
de alguma empresa boa, onde possamos ajudar a
esses atletas que tanto merecem.
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