Corrida de Rua para as Crianças  
 

Entrevista com Luiz Tavares-fotógrafo, com várias especializações e um provável futuro de sucesso pela frente, Luiz Tavares abandonou tudo para seguir a sua paixão pela corrida de rua. Fez supletivo, voltou a estudar e se tornou um profissional de educação física.
Hoje, tem sua equipe, faz seus treinos e trabalha muito o lado social, fazendo diversas campanhas para ajudar as pessoas que não têm condições a participar de provas. Saiba mais sobre a história de Tavares, sua equipe, seu trabalho e projetos sociais:

Quando descobriu a corrida de rua?
Desde pequeno sempre assisti a São Silvestre ao vivo na Consolação pelo fato de morar próximo da região. E dizia aos meus pais que quando crescesse iria treinar e participar da Corrida

Como foi seu inicio no esporte?
No começo de 1985 convidei um colega de colégio a participar comigo dos treinamentos para corrermos a São Silvestre. Sem nenhuma experiência começamos a correr na pista de cooper do Ibirapuera onde mal conseguia dar uma volta de 1500m. Depois, no meio do ano, para treinarmos subidas íamos ao começo da Peixoto Gomide e subíamos até a Paulista. Faltando 5 meses para a São Silvestre, meu colega começou dar desculpas em não treinar, porém não desanimei e continuei no meu sonho de participar da São Silvestre. Comprei uma roupa especial para a prática - camiseta furadinha e shorts de nylon - e um tênis de corrida. Já estava me achando um atleta em condições de ganhar a São Silvestre.
No mês da Corrida fui fazer o reconhecimento do percurso e no meio do treino tive uma sede tão forte que parei na primeira padaria e pedi uma Coca Cola - tamanha a inexperiência - e continuei o percurso.
Há duas semanas da Corrida me inscrevi em uma prova que chamava Corrida de Natal, um percurso de 10 km com largada em frente ao Obelisco. Confiante, posicionei-me bem na frente na largada e um atleta que estava do meu lado me falou: “E aí, você vai consegui acompanhar o carro da cronometragem?” E eu super confiante respondi que sim, e mais que isso, queria ver se o carro conseguia me acompanhar ou teria que diminuir meu ritmo. Dada a largada, não só perdi o carro de vista como vi um monte de atletas passando por mim, quase me atropelando. E praticamente no quilometro 5 comecei a caminhar de tanto cansaço. A partir daí acordei para a realidade que não era bem assim.
Na São Silvetre terminei em 3885º e fiz a prova 1h 08. Surgiu a partir daí um amor pela corrida de rua.

Trabalhou com alguma coisa antes da corrida?
Na época trabalhava como fotógrafo e tinha diversos cursos profissionalizantes. Tinha um futuro promissor garantido e muito talento, visto que ganhei concurso de fotos promovido pela Fotoptica. Decidi largar a minha carreira de fotógrafo e voltar a estudar, pois estava decidido em ter meu futuro relacionado com esportes. Fiz Supletivo para concluir mais rápido e prestei um cursinho. Em 1990 passei em três vestibulares e acabei decidindo pela FMU.

 
Coluna por Henrique Dubeux
 
 

Henrique Dubeux
Atleta de Vela, Rapel, Bike, Natação,
Futsal, e Corrida de Aventura.

 



 
 
 

 

 



 
 
 

 

 




 
 

Desde quando é técnico de corrida?
Me formei em 1994 pela UniFMU e no mesmo ano comecei a dar treinamento. Na época comecei com duas alunas: minha ex-namorada Marlene e Alda, uma veterana muito dedicada e conhecida que está comigo até hoje.

O que o estimulou a se tornar um técnico de corrida?
No terceiro ano de Curso de Educação Física decidi ser um técnico, pois sempre tive uma paixão em ajudar os outros e me sentir útil. Vale ressaltar que encontrei duas grandes dificuldades no começo da minha carreira. Primeiro logo que entrei na Faculdade, pois fui muito criticado pela minha família e amigos por ter trocado uma profissão certa e segura por uma incerteza onde muitos me diziam que isso não era profissão e que ia morrer de fome. E segundo, quando me formei e montei a minha equipe, pelo fato de não ter sido um bom atleta de performance era muito humilhado pelas pessoas, dizendo que também não seria um bom técnico.
Isso me deu mais forças e me estimulou mais e hoje consigo provar que para ser um bom treinador não precisa ser um bom corredor. Hoje tenho orgulho por tudo que conquistei e onde cheguei.

Você acredita que ainda estamos em uma crescente e muitas pessoas ainda vão aderir ao esporte?
Sim, com certeza. Hoje considero a corrida o esporte do futuro, pois é um esporte barato, as pessoas saem dos seus empregos de ambientes fechados e encontram satisfação em treinar em ambientes abertos, além de formar novos ciclos de amizade.

Tivemos uma prova infantil e alguns atletas eram da sua equipe. Como você faz o seu trabalho com as crianças?
Hoje trabalhamos com algumas crianças e sempre procuro deixar claro aos pais que tem que partir da criança o desejo em começar a correr. Segunda parte é o treinamento, nunca deixe que isso vire uma obrigação e sim um lazer e divertimento.

Qual é a idade ideal para se iniciar um treinamento com crianças?
Não tem idade, basta querer participar desde que de uma forma descontraída, sem responsabilidades.

Uma vez conversando você me falou sobre um trabalho social que desenvolve em sua assessoria. Nos conte um pouco sobre isso.
Como trabalhamos muito com atletas carentes e infelizmente não temos patrocínio, adotamos algumas campanhas: Doe seu tênis usados, onde recolhemos toda semana tênis usados e que ainda estejam em bom estado e repassamos aos nossos atletas. E vale salientar que não somente tênis, mas sim agasalhos, shorts, meias, roupas sociais etc. Temos a Corrente do Bem, que é uma campanha onde recolhemos de R$ 5,00 a R$ 10,00 por mês das pessoas interessadas e depositamos em uma caixinha e esse dinheiro será usado nas inscrições desses atletas. Geralmente damos preferência ao circuito Corpore por ter provas bem organizadas, por esse motivo que temos tantos atletas disputando o campeonato. Cestas básicas: Vários atletas nossos fazem doações de cestas básicas a outros atletas; Viagens: Faz 8 anos que organizo pacotes de viagens aos corredores, pois em cada viagem faço questão de oferecer cortesia para algum atleta nosso carente e é muito gratificante de poder ajudá-los e ver a cara de felicidade estampada em cada viagem, muitos deles sequer saíram de São Paulo ou conheciam praia; Lanche na Corrida: em dias de prova, onde montamos nossas estruturas cobramos uma taxa de R$ 3,00 de cada um e montamos um verdadeiro café da manhã com café , biscoito, isotônico, bolacha, frutas, sanduíches e ao final do evento doamos o resto dos lanches a nossos atletas carentes e um deles uma certa vez veio me agradecer dizendo que aqueles sanduíches serviram para alimentar sua esposa e seus três filhos naquele domingo. Não é de apertar o coração? Um fato interessante notei quando passamos a fazer esses lanches, diminuíram atletas nossos passando mal, ou seja muitos iam para a prova de jejum por não terem o que se alimentar. Doações extras: Algumas pessoas que fazem questão de ajudar, porém não querem se identificar, fazem doações de uma valor mais alto R$ 200,00 – R$ 300,00 para ajudar com inscrições e viagens. Mensalidades: Os atletas carentes faço questão de não cobrar as mensalidades, porém para eles não se sentirem constrangidos ou diferentes dos demais, faço questão que me ajudem com montagem das tendas e desmontagem, dobragem dos panfletos da equipe, panfletagem e tudo que venhamos a precisar de ajuda e eles fazem com orgulho e amor inclusive um deles sempre faz questão de levar amendoins aos treinos e distribuir aos seus colegas de equipe e outro leva mandioca cozida e quentinha para os atletas saborearem.

Enfim são pequenas coisas que realizamos e muito grande para esses atletas. Por esse motivo que nossa equipe não é simplesmente uma assessoria e sim uma família, unida e de muitos com coração bom. Mas ainda tenho um sonho de conseguir um patrocínio de alguma empresa boa, onde possamos ajudar a esses atletas que tanto merecem.



 
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