30/04/2007


Pense num homem borrado!

Pois é…ontem começou o Campeonato Brasileiro de Hobie Cat. Com ventos de intensidade média a muito forte, o bixo pegou.

Comecei meu dia bem…acordei cedinho, fui na academia aquei perto do Hotel, fiz uma horinha básica de ginástica e como se não bastasse fui “alongar” um pouco dando uma nadadinha numa piscina que fica na cobertura, e frente ao mar. Eita vidinha mais ou menos! Precisa-se de mais alguma coisa? 


Até ai tudo bem, não fosse a pontaria certeira de um bixo. Suponho ter sido um barimbondo rajado que mesmo eu nadando mirou do lado do meu olho esquerdo e pimba  - a sorte é que eu estava de óculos de natação – vndo a fincar o ferrão em mim. Que dor da muléstia! Cheguei a ouvir o zumbido do infeliz.

Parei de nadar, dei um tapa no rosto e o F.D.P caiu boiando atordoado na água gelada da piscina.

- Vou te fuder, cordo de uma figa, pensei comigo.

Peguei o chinelo avaianas e dei três porradas no safado….Continuou imóvel boiando.

- Matei esse beste, pensei comigo.

 Peguei o meliante coma ponta dos dedos e acho que senti uma picada no indicador, já que depois ficou incomodando e dolorido. Então dei mais uma chinelada para garantir o assassinato e nadei mais um pouco, mesmo sentindo uma dor do cacete, consequente do veneno do animal se espalharndo pelo lado esquerdo do meu rosto.

Dai pensei:

- Vou pegar esse bixo e levar para mostrar para o companheiro Carpes, que é médico, e talvez possa me dizer que bixo é esse e se o veneno ia me fazer mal, já que estava doendo e eu ficando com dor de cabeça.

Peguei aquele porta chave de apartamento de hotel, tipo cartão! Botei o besouro ou madimbondo ou sei lá o quê naquele porta chave e ainda coloquei  a chave espremendo o infeliz, mas sem estourá-lo, que era para o Carpes poder vê-lo ainda inteiro….troquei de roupa e desci para tomar café….e a porra da cabeça latejando.



Tomei meu café e quando fui conferir o estado de “saúde” do bixo, ele se mexeu.

- Mas como pode, esse bixo tem sete vidas? Eita bixo ruim de morrer!

Melhor, pensei com meus botõe, acho que ele merece a liberdade….já me fudeu mesmo, tomou 4 chineladas, duas espremidas e ainda quer viver…esse é macho e não serei eu quem o tirará de circurito.

- Vai te embora infeliz, morder outro!

Vou soltá-lo! Fui até o meio fio da calçada em frente ao Hotel Bristol, onde estamos hospedados, e soltei o “bixinho” – a essa altura já estava me afeiçoando a ele. Estava até admirando e gostando dele. E o peste foi andando para  meio-fio da calcada da movimentada avenida. Vinha um ônibus e eu fui lá e peguei ele com a chave do hotel para ele não me picar denoco e o botei na calçada para finalmente nos despedirmos.

- Tchau seu féla!

O fato é que o bixo se foi mas a dor continuava me incomodando. Coincidências à parte, o fato é que o dia ainda me reservava algumas surpresinhas básicas. E foi ai que tudo começou. Montei o barco que estava no Clube e pontualmente às 10hs estávamos em frente na praia de Camburi, local sede do evento. E a cabeça doento sob um sol bastante forte.

Resenha, regulagem de barco, reunião de tripulantes com a CR, e às 12hs vomos para a água, em busca de correr a primeira das regatas válidas pelo campeonato. Na primeira regata fiz umas besteiras típicas de desatenção mas deu pra ver que dava para andar com o pelotão da frente. Ficamos em 6 (sexto).

Depois da primeira regata eu já não estava tão bem. A cabeça ainda doía, o som tocada no meu IPOD a prova d’água - um som maneiro, mas àquela altura dos fatos estava mais era fazendo um revertério no meu juízo – o sol quente e uma largada normal, logo atrás do Baby, o grande bam-bam-bam do campeonato.

Fomos os primeiros a cambar para a direita e quando me dei por conta estávamos em primeiro, frouxo. Dai eu disse pra Karol, plagiando uma célebre frase da querida ex-proeira Déa:

- Que Baby que nada, eu sou o Tigrão!!!!!!!!

E me fui, dando lenha na máquina. Montamos a primeira bóia bem,  em primeiro, e os bixos com dente vindo logo atrás, botando pressão. O vento aumentou, aumentou e continuaos na frente, até que montamos a bóia de popa também na frente. Mas, como estámos com quase 6 kg abaixo do peso mínimo, não aguantamos a pressão e fmos ultrapassados pelos três candidatos mais fortes ao podium (timoneiros Baby, André Montenegro e Claudinho). Brigamos com o Claudinho até o fnal e terminamos em 4 (quarto). Ótima posição!

E foi quando estávamos voltando para a terceira regata que o mundo dentro de mim simplesmente desabou, da mesma forma que desabaram as torres gêmeas no 11 de setembro. Comecei a mariar (enjoar), me deu uma cólica que nunca havia sentido numa situação daquelas, tudo ficou cinza e o que mais queria na vida era vomitar e um troninho de reizinho. Como não queria ficar pagando mico pra minha proeira – que situação deplorável – aguentei no tranco até onde deu. Mas, chegou um momento que não deu mais, parei o barco, de súbido, e me joguei na água, com ou sem tubarão, pois àquela altura dos fatos o que isso importava?!?!

Meu estômago embrulhava, o barco balançava sobre mim e eu me segurando embaixo do trampolim. A turma passando para a linha de largada e nosso barco estacionado, apenas balançando ao sabor das ondas, no meio da raia…E os putos passavam dizendo:

- Sai dai mijão!

Ai se meu problema se resumisse a um reles mijinho, pensava cá com meus botões! E a coisa piorou, piorou, piorou até que não restava um só barco para voltar e a CR já estava se preparando para largar a últma regata do dia.

O vento subindo, o nervosismo aumentando, o som alto tocando no meu pé do ouvido e eu ali, totalmente impotente. Foi quando resolvi literalmente chutar o pau da barrada e relaxei….eu melhor, me borrei todo, nas calças, debaixo d’água.

- Ai meu Deus, isso não está acontecendo comigo!!!!!!!!!!!!

A cólica tomou conta de mim, eu suando frio, o vento aumentando e o juiz me dá o tiro preparatório de 5 minutos para a largada.

- Ai meu Deus, o que é que tô fazendo aqui?

E os malas passavam tirando onda, já que não tinham a mínima idéia do que estava se passando com essa criatura indefesa.

  1. Sai dai putão, tu vais perder a largada.
  2. Para de mijar baitola.
  3. Karol! O que esse porra tá fazendo ai embaixo?
  4. Vamos Mario, só falta pouco tempo e só mais uma regata, aguenta….não vamos desistir né?! Dizia a Karol.

E assim foram os próximos 4 intermináveis minutos. E foi quando faltavam 1,5 para a largada que eu lavei o que tinha pra lavar, tomei fôlego e subi no barco, totalmente despudorado, com vergonha, enjoado, me sentindo uma bosta, literalmente.

E o Todo Poderoso – com maiúscula de propósito – resolveu me dar uma colher de chá. Fez com que a largada fosse cancelada, inicinado nova contagem. E eu imediatamente me joguei na água denovo, mergulhando sob o barco. E tudo voltou.

Eu pensava em voz alta:

- Cacete, viajei isso tudo, briguei, me estressei, tô andando bem e vou acabar com minhas chances de classificação por causa de um barimbondo filho da puta – sim, porque a essa altura dos fatos a única explicação que eu tinha era o veneno do bixo fazendo efeito no meu corpo – que bostaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

E subi no barco denovo todo borrado e  praticamente entregue aos braços do Destino. E a porcaria do IPOD tocando uma música eletrizante no pé do meu ouvido, tipo TUNT’s, TUNT’s, TUNT”s, TUNT’s.

- Isso não pode estar acontecendo comigo, eu pensava.

Me enchi de força e parti para a largada, com raiva, com gana…e para melhorar o vento apertou, chegando, segundo soube, a rajadas de 30 knós, uma porranca!  Ondas gigantescas, barco virado por toda a parte e nós ali, brigando no bloico da frente.

- Eu tô podendo, pensei comigo. Todo cagado, mas firme aqui. Até esqueci as dores por uns instantes.

E a proeira Karol gritava:

- Pôxa, eu não sabia que era tão valente.

E eu replicava:

- Já que estou no inferno que custa dá um beijo no diabo. Vamos botar pra torar! Agora é tudo ou nada. Ou chegamos com essa turma da frente ou capotamos.

E nisso foi até o final. Acabou a regata e nós em 5 (quinto). Mérito para a garra da tripulação, que não se mixou diante dos obstáculos que se apresentaram.

Agora estou aqui, no dia do meu aniversário (01/05). Oito horas da manhã, escrevendo essas memórias não somente para me sacanear, mas para registrar momentos que certamente nunca mais sairão da minha mente.

O moral de tudo e que muitas vezes as situação de limite nos dão importantes lições, e devemos antes de reclamar e se lamentar, tirar proveito da mensagem que nos foi passado, talvez em código, pois tudo  é obra do Destino e nós, meros atores desse grande teatro chamado VIDA.



Have a Hobie Day!


01/05/2007

Dia do meu aniversário! Pôxa… 4.3 não é mole.
Como a noite passada não foi das melhores, pois passei à base de plasil e cia ltda, acordei meio ressabiado. Comi bem pouquinho para não me lascar denovo e logo fui armar o barquinho.

A praia estava bem movimentada e o povo aproveitando o feriado nacional que todos sabem foi institudo em minha homenagem faz algum tempo. O dia estava prometendo! Já pela manhã cedo o vento soprava forte vindo do sul, mostrando que na hora da regata o bicho ia pegar. E não deu outra. Mas, disso vamos falar no tempo certo.

Resolvi ceder um pouco das minhas convicções e mudar  só um tiquinho a  regulagem padrão do nosso barco, já que nossa tripulação encontra-se com 5,6 kg abaixo do peso mínimo. Muito pouco peso para um vento tão forte. Fiquei sabendo que na segunda regata as rajadas chegaram a 28 knós, uma porranca de respeito, inclusive com ondas enormes. Bem difícil de manter o barco em pé.

Gosto muito de velejar em vento forte, mas tudo na vida tem limite. Velejar com 28 knós, com ondas altas e tão leve é um verdadeiro desafio. Mas, sobrevivemos e ainda nos demos bem, mantendo a posição de 6° colocados no campeonato.  Conseguimos um 6 (sexto) e um 5 (quinto) lugares na primeira e segunda regatas do dia, respectivamente. Isso sem esquecer que eu estava fraco, pois não havia me alimentado bem devido aos “contratempos” do dia anterior, já detalhadamente relatados.

A CR utilizou o percurso 1 para a primeira regata (5 pernas) e o percurso 2 para a segunda regata (4 pernas). O bom senso reinou e fomos liberados da terceira regata do dia, que se realizada teria sido uma temeridade. 

Após voltarmos tivemos que socorrer o barco do Carpeta que estava capotado e ia dando nas pedras. Capturamos um bote que estava ancorado em frente ao local do evento e fomos ( Eu, Adriano e Remo ) ajudar o Carpes e o Schneider, pois o pessoal de resgate não se mostrou com intimidade com esse tipo de situação. Se tivessemos demorado mais 10 minutos o barco teria se ferrado nas pedras. Mas, no final, o trio de super heróis tipuniquins conseguiu a façanha de trazer o barco de volta, são e salvo. E o melhor, nossa equipe continua sem nenhum desfalque.

E ai começaram as surpresas. Sempre senti uma necessidade danada de comemorar as datas festivas. Não gosto de passar em brancas nuvens meu aniversário. Sempre fiz questão de receber amigos e, no mínimo, ter um bolinho. Eis que para minha total surpresa quando  voltei do resgate, além de uma salva de palmas fui recebido pelos meus amigos – na classe hobie cat mais que competidores, somos amigos e irmãos no esporte que escolhemos – com uma deliciosa torta de chocolate e velinha. Como pequenas atitudes fazem toda a diferença. Sentir-se querido não tem preço. E como necessito disso.

E como se tudo isso não bastasse, o Machadão, um perfeito anfitrião, convidou um reservado grupo de 12 pessoas para comer uma massa em seu apartamento, justamente em comemoração ao meu aniversário. O jantar ficaria ao encargo do Cláudio Teixeira (SP). No final, havia mais de 20 pessoas no apartamento do homem, todos querendo participar da festa que me foi reservada. Sem comentários. Ambiente, alegria, confraternização, amizade, calor humano, tudo isso junto. Pensei comigo: Apesar de tudo o que tenho enfrentando posso me considerar uma pessoa privilegiada, justamente porque consigo agregar, divertir os outros e me divertir também, mesmo que essas alegria sejam passageiras. Mas, afinal, o que é eterno nessa vida?

Voltei para o hotel pois já estava jogando a prorrogação, ou seja, havia passado muito mal o dia anterior e ainda não estava seguro das minhas condições físicas.  E a turma não se contentou com tanta festa e me telefonou (Baby, Claudinho, Schneider, Mika, etc….) para que eu fosse encontrá-los num tal de barzinho qualquer para tomar todas. Vixe, pensei, tô fora! Não aguento esse tranco.  É muita carga pro meu radinho de pilha. Enrolei o povo e fui dormir.

02/05/2007

Dia de folga do campeonato.

Nossa, não quero ver um Hobie Cat nem pintado de ouro, pensei comigo!

Um dia que seria para ser calmo e destinado ao descanso do guerreiro. De certa forma assim o foi, na medida em que nem cheguei perto do meu barco, apesar de ter dado uma passadinha rápida pelo “circo” do campeonato montado na praia de Camburi. Ajudei a arrumar o mastro do barco do Carpes/Adriano e regulei o leme do barco de um parceiro do HC 14 aqui de Vitória.

Mas, como advogado (profissional liberal) não tem folga nem quando está em férias, e ainda tem que ficar dando desculpa porque ninguém entende que também somos gente e precisamos descansar, precisei voltar para o hotel e preparar dois recursos e mais uma defesa num processo de licitação, tendo encerrado essa empreitada por volta das 12hs, quando finalmente consegui aceitar o convite do Machadão e fomos passear em sua lancha (Eu, Machadão, Baby, Claudinho, o proeiro do Claudinho que esqueci o nome, Victor, Karol e Beatriz) dando a volta na Ilha e almoçando num local bastante simpático, perto de uns mangues de uma beleza ímpar.

Voltamos pelas 16hs e ainda fomos cavalgar. É que o Machadão, além de Avestruz, também cria uns cavalos da raça Manga-Larga Machador e resolveu nos levar para uma cavalgada no final da tarde e que só terminou pelas 19:30hs, sob uma lua cheia de fazer inveja. Foi um programa diferente, alternativo e que me fez muito bem, afinal de contas gosto muito desses animais e de certa forma me reportou aos meus tempos de infancia.

E assim termina nosso dia de folga.  Vou comer e dormir pois amanhã tem mais regata e a previsão é que o vento seja fraco. Se a previsão se confirma teremos um dia de regatas muito pensadas e táticas, o que não é do meu agrado, pois sempre fico com dor de cabeça Preciso me concentrar!

Mas, pelo que acabo de ver no CPTEC, talvez o vento não seja tão fraco assim. O ideal para nós seria uns 15 knós mas, como não dá para escolher, “temos que comer a comida que nos é servida no prato” (frase que um dia escutei do campeão Robert Scheidt). Vamos esperar para ver no que vai dar.



03/05/2007

O CPTEC errou feio!

A previsão não se confirmou e tivemos nada menos que três regatas na merreca, como eu havia imaginado. Mas, vamos narrar o dia pelo começo.

Acordei pelas 8:45hs, um tantinho tarde em comparação com os dias anteriores Acho que a cavalgada do dia anterior me pegou...



Voltar
____Topo____Adiante
Iatismo - Home
 











Todos os direitos reservados à Ricardo Dubeux & KNOWLEDGE © - 2004