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Qual o esporte mais fácil para disputar os Jogos Pan-Americanos? |
Hóquei na grama? Softball? Patinação in line? Não, o caminho mais fácil para disputar os Jogos Pan-Americanos do Rio não passou por modalidades obscuras ou inexistentes no país. A classificação mais tranqüila aconteceu justamente no esporte que mais medalhas olímpicas trouxe para o país: a vela. |
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O autor do feito foi o estudante carioca Bernardo Low-Beer, de 20 anos. O grande trunfo dele foi conseguir US$ 3.500 com o pai empresário para importar um barco da classe Sunfish, inexistente no país, mas incluída no programa do Pan. Em seu atalho, o próximo passo foi conseguir a liberação aduaneira da embarcação a tempo de participar da seletiva da formação da equipe brasileira. |
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Único inscrito da classe, ele conquistou a vaga sem nunca ter disputado uma regata com o barco. Aliás, antes do Pré-Pan, entrou na água apenas quatro vezes para velejar com o modelo de barco que não existe no Brasil. |
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"Quando saiu a definição das classes do Pan, eu fui para a internet pesquisar. Percebi que o Sunfish não era popular no Brasil, que eu tinha o biótipo ideal para o barco, e que não era uma classe muito técnica. Eu me encaixava no perfil e vi aí um jeito fácil para chegar ao Pan", conta o velejador, que normalmente compete na classe 470, que faz parte do programa olímpico, mas não pan-americano. |
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Caminho fácil, mas com alguns obstáculos. Bernardo iniciou o processo de importação em setembro. A embarcação foi comprada em Miami (EUA), através de um revendedor baseado no México. Após esperar meses entre embarque e transporte, o veleiro chegou ao Rio, mas a espera foi ainda maior para o desembaraço na alfândega. "Até agora, foi a parte mais difícil do processo, negociar a liberação, esperar o desembaraço. Comprei há seis meses e o barco só chegou uma semana antes do Pré-Pan", conta Bernardo.
Um Sunfish custa US$ 3.500 nos Estados Unidos. O Optimist, barco-escola por excelência e um dos mais baratos no mercado, não sai muito mais em conta, custando cerca de US$ 2.000. "Mas, para trazer para o Brasil, com custo de importação e tudo mais, quase dobra o valor. Mas, mesmo assim, o preço é ainda barato, quase um Optimist", diz Bernardo.
Entenda o porquê da escolha das classes que vão estar no Pan-Americano do Rio
Por Nelson Ilha
Escolher o equipamento pan-americano com mais de dois anos de antecedência pode pareceer um exagero. Mas na verdade é pouco tempo e já estamos atrasados!
Dois anos é muito pouco tempo para um atleta se preparar para os Jogos Pan-Americanos. Para um país desenvolver o trabalho de preparação de sua equipe, até o período de quatro anos entre os jogos já é muito curtos.
O processo de seleção das modalidades e barcos nos Pan Americanos ainda não é 100% claro. A Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana) defende que é sua a última palavra. Já a Pasf (Federação Pan Americana de Vela), apresenta à Odepa apenas uma sugestão das classes devem ser usadas nos Jogos. Além delas, A federação nacional do país que organiza o evento tem peso decisório e também influi na decisão.
Falta de planejamento
No último Pan-Americano, em Santo Domingo, a três meses dos Jogos, a Odepa avisou que os esportes que não fossem olímpicos não participariam dos Jogos. Como a vela usa equipamentos Pan-Americanos no lugar das classes olímpicas, o esporte poderia então participar somente nas classes Laser e Windsurf. Com isso, o número de atletas cairia de 140 para 24.
A gritaria foi grande, e depois de muita discussão, voltaram quase todas as classes programadas, exceto o Lightining. Imaginem a frustração dos atletas classificados nesta classe, que no último minuto não puderam participar.
A partir daí a ISAF (Federação Internacional de Vela) procurou determinar critérios para escolhas das modalidades e equipamentos que podem ser usados tanto nos Jogos Olímpicos como nos Jogos Regionais, que é o caso dos Pan-Americanos.
Os regulamentos que regem o tema são:
16.1.4 Critérios para selecionar as modalidades e os equipamentos Olímpicos e Regionais:
- (i) – Possibilitar que atletas ao redor do mundo, homens e mulheres de diferentes tamanhos e pesos possam participar.
- (ii) – Deve atender ao atual objetivo da IOC de ter uma participação garantida de mulheres.
- (iii) – Deve dar a oportunidade aos melhores velejadores de cada país de participarem com equipamentos acessíveis.
- (iv) – Deve combinar modernidade e tradição tanto nas modalidades como nos equipamentos com objetivo de refletir, mostrar e promover à vela.
16.1.5 – Equipamentos: Para os Jogos Olímpicos e Regionais devem ser escolhidas entre as seguintes classes:
- Windsurf: Funboard, Formula, Mistral, Neil Pryde RS, X.
- Single Handed Dingue: Finn. Laser, Laser Radial, Sunfish, Byte, Zoom e Europa.
- Multi-crewed Dingue: 29er, 420, 470, Fireball, Flying Dutchman, Lightining, Snipe, 49er.
- Keelboat: Etchell, Flying Fifteen, H-Boats, J-22, J-24, Soling, Yngling e Sonar.
- Multihull: Hobie 16, Hobie Tiger e Tornado.
Assim, seguindo estas linhas básicas, a Federação Pan-Americana de Vela se reuniu no Rio de Janeiro, de 24 a 27 de março, com objetivo de determinar que classes seriam indicadas à Odepa para os próximos Jogos.
Ficou assim definido:
Evento |
Eq.. Olímpico |
Eq Pan Americ |
Nº trip |
Nº paises |
atletas |
monotripulado masculino |
Laser Standard |
Laser Standard |
01 |
12 |
12 |
monotripulado feminino |
Laser Radial |
Laser Radial |
01 |
12 |
12 |
Wind masculino |
Neil Pryde |
Neil Pryde |
01 |
12 |
12 |
Wind feminino |
Neil Pryde |
Neil Pryde |
01 |
07 |
07 |
Dingue multitripulado |
470 |
Lightining |
03 |
07 |
21 |
Dupla misto |
49 er |
Snipe |
02 |
10 |
20 |
Catamarã |
Tornado |
Hobie Cat 16 |
02 |
08 |
16 |
Monotripulado misto |
Finn |
Sunfish |
01 |
12 |
12 |
Multitripulado com quilha |
Star |
J-24 |
04 |
07 |
28 |
Total |
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16 |
12 |
140 |
Quem ficou de fora:
A classe 470 pediu para entrar na vaga do "bitripulado misto" que hoje é ocupada pela Snipe, que está presente em mais países que a 470.
Da mesma forma, a classe Soling apresentou sua candidatura para a vaga do barco de quilha aberto e barco de quilha feminino. No caso da categoria aberta, o J-24 tem mais países apoiadores. O barco de quilha feminino não está previsto na regra dos Pan-Americanos. Por isso, seria necessário solicitar uma medalha a mais. Talvez fosse uma oportunidade interessante brigar por esta medalha, aumentando a participação feminina e preparando nossas atletas para uma eventual campanha no Yngling. |
O porquê de cada classe:
Laser Standard: Olímpica, a classe mais numerosa e acessível. Uma unanimidade.
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Laser Radial: Olímpica, acessível, tem grande chance de crescimento rápido, especialmente porque facilita a equipe treinar masculino e feminino com a mesma infra-
estrutura. |
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Windsurf Neil Pryde masculino e feminino: Além de olímpica, tem as mesmas vantagens do Laser de agregar a equipe. Tem a desvantagem de recém ter sido aprovada e não existir ainda no mercado para venda.
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Snipe: Classe tradicional com adeptos em vários países, bastante popular nas Américas. Muitas tripulações são mistas.
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Sunfish: Apesar de o Brasil não ter essa classe, resolveu apoiar dando uma demonstração de boa vontade com um grande número de países — especialmente do Caribe — que usam este equipamento. No Brasil existem muitos Slicks, barcos fabricados pela Mariner na década de 80 que na verdade são Sunfish pirateados. Existe até um movimento querendo oficializar estes veleiros e organizá-los como flotilha de Sunfish. |
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J-24: Barco de quilha para 5 tripulantes, que nos Pan Americanos corre com 4 tripulantes e buja. Tem apoio de vários paises. |
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Lightining: Na costa do Pacífico, é uma classe forte, com participação expressiva, inclusive com tripulação mista. Foi muito prejudicada com a decisão de ultima hora de não poder participar do ultimo Pan.
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As seletivas:
Os Jogos Pan Americanos a exemplo dos Jogos Olímpicos não são abertos. Serão feitas seletivas durante os próximos dois anos para classificar os países. Devem ser usados os campeonatos Sul Americanos como prioritários para as seletivas. O sistema e as datas estão sendo finalizados e devem ser divulgados em breve.
Nelson Ilha
Nelson Ilha é velejador, árbitro olímpico e juiz internacional da ISAF |
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