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FIQUE EM FORMA: Escândalo abala atletismo brasileiro!Cinco competidores que iam disputar o Mundial foram flagrados no exame antidoping. |
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Às vésperas do Mundial de Berlim, que começa no próximo dia 15, o atletismo brasileiro foi atingido com o maior escândalo de doping da sua história. Ontem, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) anunciou que cinco atletas foram flagrados em testes-surpresa, fora de competição, realizados em 15 de junho, na cidade de Presidente Prudente, no interior de São Paulo. Todos usaram a mesma substância: EPO, sigla de eritropoietina, um hormônio que melhora a capacidade de oxigenação do sangue. |
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Cinco atletas brasileiros, que treinavam na Alemanha para o Mundial de Atletismo de Berlim, acusaram positivo a EPO e foram desconvocados da prova, revelou a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAT).
Os cinco atletas já pediram a contra-análise, tendo regressado ao Brasil de forma a fazer a sua defesa."Devido à gravidade dos acontecimentos", a CBAT anunciou a criação de uma comissão de investigação para apurar os fatos.
Os Campeonatos do Mundo de Atletismo disputam-se na cidade alemã de Berlim entre 15 e 23 de Agosto.
Os velocistas Bruno Lins Tenório (200 metros e revezamento 4x100 metros), Jorge Célio Sena (200 metros e revezamento 4x100 metros), Josiane Tito (revezamento 4x400 metros) e Luciana França (400 metros com barreiras), além de Lucimara Silvestre, do heptatlo, estavam classificados para a mais importante competição do atletismo.
Já faziam aclimatação nos arredores de Berlim desde a semana passada – hoje 05 de agosto, chegam ao Brasil, já proibidos de participar de qualquer competição até o fim do processo de apuração. Retornam também os técnicos Jayme Netto Júnior e Inaldo Sena. Na última quarta, outra atleta também classificada para o Mundial teve resultado positivo: Lucimar Teodoro, dos 400 metros com barreiras. O exame foi realizado durante o Troféu Brasil, em junho, no Rio de Janeiro.
Os seis atletas fazem parte da mesma equipe, a Rede Atletismo, com sede em Bragança Paulista, no interior de São Paulo. Josiane Tito e Luciana França são treinadas por Inaldo Sena. Os outros quatro competidores trabalham com o técnico Jayme Netto Júnior, um dos mais celebrados profissionais do País.
Professor do curso de fisioterapia do campus de Presidente Prudente da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), Jayme Netto é responsável pela equipe do revezamento 4x100 metros masculino. Tem no currículo duas medalhas olímpicas (bronze em Atlanta-1996 e prata em Sydney-2000), um vice-campeonato mundial (Paris-2003) e três títulos dos Jogos Pan-Americanos (Winnipeg-1999, Santo Domingo-2003 e Rio-2007).
De acordo com as normas de controle de dopagem, todos os atletas desistiram da confidencialidade nesta parte inicial do processo. Com o resultado positivo na primeira análise, todos vão apresentar suas justificativas à Confederação. Também já pediram a análise da contraprova (amostra B). A CBAt deve convocar outros dois atletas para substituir Bruno Lins Tenório e Jorge Célio Sena no revezamento 4x100 metros. De qualquer maneira, a delegação do País em Berlim, que era de 45 atletas, ficará agora com 41. |
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EPO
Flagrada no teste antidoping dos brasileiros, a EPO (eritropoietina) é fabricada nos rins e serve para controlar a quantidade de glóbulos vermelhos. Quando injetada no corpo, tende a aumentar a oxigenação do sangue. “Era um doping muito recorrente entre fundistas, mas passou a ser adotado por velocistas fora de competição. Com a EPO, o atleta intensifica a carga de treinos e, depois, para de usá-lo para chegar limpo na competição”, diz Rafael Trindade, coordenador médico da Agência Nacional Antidoping da CBAt. |
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A eritropoetina é um hormônio com atividade muito significativa para a função orgânica eritróide, responsável pelo estímulo da produção de eritrócitos.
Devido a isto, desde 1988, tem sua forma sintética (EPO Humana Recombinante – rHuEPO) disponível no mercado farmacêutico.
Inicialmente a rHuEPO foi utilizada na clínica médica como opção de tratamento para desordens como anemias conseqüentes à insuficiência renal ou alternativa para pacientes que necessitam de transfusões sanguíneas com freqüência. Entretanto, esta forma sintética deste hormônio, também vem sendo usada para fins ilegais: doping no âmbito esportivo em atletas competitivos de elite. Eritropoetina traz benefícios em relação à oxigenação, assim como é responsável pelo aumento na potencialidade farmacocinética da hemoglobina, levando a uma competência aeróbica mais eficaz, o que gera um aumento da capacidade desportiva em atletas de ‘endurance’.
Contudo, concomitante aos benefícios, alguns atletas podem vir a sofrer por efeitos adversos ocasionados pelo uso indiscriminado da eritropoetina sintética, o que vem se tornando um grave problema no âmbito esportivo.
Aliado a isto, tem-se uma detecção laboratorial que ainda apresenta deficiências e necessita de melhoramentos, já que as diversas isoformas de EPO sintética possuem características semelhantes. |
Repercussão imediata em Pernambuco

Higlécia (foto) enfrentou duas das acusadas durante o último Troféu Brasil |
Em Pernambuco, dois dos maiores treinadores de atletismo do Estado, Roberto Ribeiro e Abraão Nascimento, repercutiram o escândalo no qual cinco brasileiros foram pegos no exame antidoping. De acordo com Roberto, a cobrança e a pressão que os patrocinadores exercem nos competidores são os principais fatores para que eles façam uso desse tipo de substância. Ainda segundo o técnico, usar as substâncias proibidas nos dias de hoje é uma grande besteira. “Atualmente, os testes são feitos de uma forma muito eficiente, e é muito fácil descobrir qualquer tipo de irregularidade”, fala. Ele, porém, afirma que há muitos casos em que os atletas são burlados. “Sempre peço para eles não tomarem água de ninguém, não deixarem garrafa solta em canto algum e terem bastante cuidado em tudo que ingere. Tem muita gente querendo prejudicá-los”, diz.
Já para Abraão Nascimento, treinador da equipe do Santos Dumont, os casos, na sua maioria, não são fruto da “inocência” dos atletas. “São decisões conscientes deles”, afirma. Sobre os casos divulgados ontem, especificamente, o técnico crê que o escândalo não vai parar por aí. “Acho que ainda vão aparecer mais atletas envolvidos”, afirma. “Não quero taxar ninguém, mas deve haver uma rede de doping por trás disso tudo”, completa.
A pernambucana Higlécia Clariane teve a oportunidade de estar lado a lado com duas das competidoras pegas no exame antidoping, Lucimar Teodoro (flagrada ainda na semana passada) e Luciana França, que disputaram com a atleta do Estado a prova do 400 metros com barreiras no Troféu Brasil de Atletismo, realizado no mês de junho, no Rio de Janeiro. “Elas, surpreendentemente, conseguiram melhorar os seus desempenhos em pouco tempo”, diz. “Muita gente já desconfiava que faziam uso das substâncias”, completa. Apesar das adversárias terem sido eliminadas do Mundial de Berlim, Higlécia não tem chance de disputar a competição da Alemanha, pois não conseguiu obter, durante a temporada, o índice classificatório A (51s50). |
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História
Em 1906, Carnot descobriu que uma injeção de soro de coelhos anêmicos em coelhos normais aumentavam a produção de glóbulos vermelhos (ou hemácias) no últimos.O termo hemopoietina é então empregado até o uso do termo eritropoietina. Sua síntese renal foi descoberta em 1957. O gene da molécula foi identificada e clonada em 1985, permitindo sua fabricação industrial. Sua utilização médica foi aprovada nos Estados Unidos em 1989.
Medicina
Na medicina, ela é utilizada nos seguintes casos:insuficiência renalcrônica, doenças hematológicas, cânceres, tumores sólidos, linfomas,mieloma múltiplo, programas de transfusão autóloga(transfusão efetuada com sangue do próprio indivíduo, coletado e conservado em data anterior), cirurgia ortopédica programada.A aplicação varia de acordo com a necessidade e estado clínico do paciente. Há dosagens subcutêna e intravenosa. A subcutânea por ser espessa e gelada é bastante dolorida quando aplicada. Mas para diminuir a sensação de dor, basta aplicar em áreas mais gordurosas.
Produção
A eritropoetina é secretada essencialemente pelo córtex renal (aproximadamente 90% da produção). Foi demonstrado que o fígado (sobretudo nos fetos), o cérebro e o útero produzem a eritropoetina igualmente. A produção de eritropoetina é estimulada pela baixa de oxigênio nas artérias renais. A aplicação varia de acordo com a necessidade e estado clínico do paciente. Há dosagens subcutânea e intravenosa. A subcutânea por ser espessa e gelada é bastante dolorida quando aplicada. Mas para diminuir a sensação de dor, basta aplicar em áreas mais gordurosas.
Ação
A baixa da pressão parcial em oxigênio (pessoas que vivem nas altitudes), a diminuição do número de glóbulos vermelhos (ou hemácias) causada por uma hemorragia ou por uma destruição excessiva, o aumento da necessidade de oxigénio pelos tecidos levam a uma secreção de eritropoietina. Ao contrário, o excesso de oxigénio nos tecidos diminui a sua secreção. Actua sobre as células eritroblásticas da medula óssea, isto é, as células precursoras dos glóbulos vermelhos por intermediação de receptores específicos. 10% da eritropoietina é secretada pelo fígado e 90% pelos rins.
A eritropoietina estimula a proliferação das células-tronco precursoras de glóbulos vermelhos (ou hemácias), ao nível da medula óssea, aumentando assim a produção destas últimas de uma a duas semanas.
Deficiência de EPO
Como os rins são os principais produtores de eritropoetina (EPO), uma insuficiência renal crônica leva geralmente a uma deficiência de EPO, e por consequência a uma anemia hipoplásica. |
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Os escândalos que atormentaram o Tour de France de 1998 divulgaram amplamente o sistemático abuso do hormônio sintético EPO para melhorar a performance. No começo do Tour de France, os ciclistas Alex Zuelle e Laurent Dufaux, da equipe Festina, admitiram tomar EPO, e o diretor da equipe confessou organizar o doping sob controle médico. Enquanto a imprensa popular demonstrou choque em relação ao uso disseminado de EPO entre ciclistas de ponta, aqueles próximos ao esporte indicavam que o abuso do EPO havia permeado o escalão de topo dos ciclistas pela década passada.
Portanto, uma elevação de EPO ocasiona o aumento na capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue. Mais oxigênio no sangue significa mais oxigênio alcançando os músculos para a produção de energia aeróbica, o que melhora a performance de ciclistas, corredores de longa distância e outros atletas de resistência.
Há duas formas ilegais de elevar a capacidade de transporte de oxigênio no sangue de um atleta. Uma é o doping sangüíneo, a qual era a melhor tecnologia disponível nos anos 70 e boa parte da década de 80. Doping sangüíneo envolve remover e estocar um litro do próprio sangue, esperar algumas semanas até que o corpo tenha restaurado a quantidade de células vermelhas do sangue, e então reinjetar as células vermelhas estocadas. Doping sangüíneo requer a redução da qualidade do treinamento depois que o sangue for tirado, e é um procedimento bastante complicado.
A maneira moderna de aumentar ilegalmente a capacidade de transporte de oxigênio do sangue é injetar a versão sintética de EPO. Esse hormônio é produzido sinteticamente para tratar pacientes com mau funcionamento dos rins, câncer e AIDS. Pelos últimos 10 anos, uma parte da produção de EPO fez seu caminho para aos mãos de atletas. No começo desse ano, Eddy Planckaert, belga ex-campeão de ciclismo, confessou ter tomado EPO em 1991 e declarou que durante os últimos dois anos de sua carreira (1990 e 91) muitos outros ciclistas estavam usando EPO. Porém, junto com a melhora na performance em decorrência de EPO, vem uma série alarmante de mortes controversas entre ciclistas de topo. Entre 1987, quando EPO ficou disponível na Europa, e 1990, dezoito ciclistas belgas e holandeses morreram abruptamente, levantando suspeitas que os usuários ingenuamente não sabiam que estavam brincado com fogo. |
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