O JOVEM RAFAEL
"Era uma tarde de domingo.
Na quadra jogava a pureza
De um jovem de rara beleza.
Uma semente plantada,
Através de um amor do passado.
Um fruto que o tempo tratou com cuidado.
Na face, moldando
As marcas daquela união.
no corpo, o perfil de um campeão!
Como um passe de mágica,
Um instante de violência
Leva sua mente à falência.
Valente, o coração resistiu,
Até o momento sutil
Da Vontade divina.
Que levou para o céu
Toda a Bondade
Do jovem Rafael!"
Poema escrito pelo pai, Lúcio Sérgio de Andrade,
em 20/11/2006.
No dia 26 de novembro do ano passado o GRUCRRE - Grupo de Corredores de Rua do Recife, realizou um ato de protesto e apelo pela paz , realizando uma caminhada até o local do crime, onde foi também plantada uma muda de coqueiro e será neste mesmo local onde estaremos fazendo a largada da corrida. Logo após o término da corrida, haverá uma solenidade onde estaremos reverenciando não só o nosso estimado Rafael ,como tantos outros que foram brutalmente assassinados em nossa cidade. |
Será mais uma oportunidade para reflexão e nos confratenizarmos .
Informamos ainda que serão apenas 100 inscrições onde gostaríamos que todos os grupos de corredores do Recife se fizessem representados: Corpore Sano, ACORJA, CORRE,CRV,CORMENE, AQC, Running Spirit, Fitfam, etc.
A idéia é que cada grupo assumisse uma determinada quantidade de inscrições ( 15 ou 20 ) e estamparíamos a sua logomarca na camiseta. |
Contamos com a sua presença na corrida, que pela sua representatividade e simbologia, é a mais importante no cenário esportivo da nossa cidade.
Corrida pela Paz, uma corrida pela vida!
Pior do que a sanha dos maus, é a passividade dos bons!
Contamos com você.
Abraços,
NICOLA DE BELLI/ RICARDO DUBEUX
Inscrições: acaoeaventura@globo.com
81.8898.5655(Ricardo)
81.9961.3123(Nicola)
MOMENTO DE REFLEXAO
Quem será o próximo?
Quantos Rafael, quantos Escobar, quantas Laís, quantos de nós, estudantes, trabalhadores, jovens, idosos, precisam e vão morrer, a cada dia, nas mãos de latrocidas, a maioria impune, que praticam o crime escudados na condição da menoridade penal? Vidas violentamente retiradas são trocadas por um celular ou uma bagatela qualquer.
O assassinato de Rafael Dubeux, estudante e trabalhador de apenas 21 anos, que se foi tão cedo, no domingo, dezenove de novembro, não deve constituir mais um fato corriqueiro, previsível, inevitável, mera notícia de jornal, episódio rotineiro, “normal”, neste Brasil cruel e insensível, em que vivemos - e morremos.
A morte de Rafael deve simbolizar, significar um ponto de virada, um basta! nessa situação de selvageria e impunidade em que o Estado, impotente ou não, em que o Poder Judiciário, distante ou ausente, em que a sociedade, Pilatos lavando as mãos, assistem passivamente o sacrifício de tantos Rafaéis, e seguem adiante como se nada de mais tivesse acontecido.
Porque a lei facilita a impunidade e o Estado permite que se armem os bandidos? Se há uma legislação – hipócrita - sobre o desarmamento, porque e como esse assassino tinha uma arma na mão para matar Rafael?
Se a lei é feita para regular e possibilitar a vida social, porque serve à morte? É real que o Estado, a autoridade constituída, os que exercem poderes, eleitos e pagos por nós, nada podem fazer? Não há solução e vamos continuar enterrando e chorando amigos, porque tem que ser assim?
Não podemos mais esperar por medidas como melhoria do nível de emprego, reforma política ou educacional, investimentos de longo prazo, coisas que visem atingir a raiz da violência. Pois a longo prazo, todos estaremos mortos, senão antes.
Exigimos das autoridades, em nome das nossas vidas, medidas e ações efetivas e urgentes de combate e prevenção do crime, do latrocínio. Caso contrário, continuaremos diariamente com esta dúvida cruel: “Quem será o próximo?” |