|
CAMPEONATO BRASILEIRO DE HOBIE CAT 14 E 16 VITÓRIA/ES
29/04/2007 – Regata de Abertura
Nossa equipe chegou ontem e ficou hospedada no Hotel Bristol Century Plaza, localizado praticamente em frente ao circo montado na praia, sede oficial do evento. |
Logo cedo, pela manhã, o encontro da turma no café, justamente para após começar a empreitada de montagem dos barcos. |
_clip_image002_0000.jpg)
|
E por volta das 13hs foi dada à partida para a regata de abertura, que na verdade é uma prova de reconhecimento da raia, e que não vale pontos para o campeonato, mas tem premiação própria e, desta vez, homenageou os saudosos Ney Pacheco (categoria Hobie Cat 14) e Mario José Dubeux Júnior, o pioneiro (categoria Hobie Cat 16), este último pai e avô, respectivamente, dos também velejadores Mario Roberto (autor deste diário) e Victor Dubeux.
O vento apresentou-se com intensidade que variou de média a forte e deu pra sentir mais ou menos o que nos esperava. Em Vitória, o vento sul, quando é proveniente de frente fria, normalmente provoca ondas bem altas, o que torna a velejada uma montanha russa aquática. E salve-se quem puder!
No nosso caso, não deu outra. Estávamos velejando bem, no bloco da frente, seguramente entre os cinco primeiros colocados. Foi quando, momento após a montagem da bóia do gate, nos entrou uma rajada mais forte e simplesmente não consegui segurar o barco. O resultado foi que a proeira literalmente voou – é bem levinha a mulher - e caiu sobre a vela, que já a esperava de talas abertas deitada sobre a água de Camburi.
Tentamos desvirar rápido mas não conseguimos, já que estávamos bem levinhos - menos 5,6 kg do peso mínimo. Fiquei logo bravo e dei meus discursos básicos, mas nada de anormal.
Quando finalmente conseguimos desvirar o barco já era tarde demais, pois a turma se foi e já estava praticamente cruzando a linha de chegada. Então pensei: Como a regata não valia para o campeonato, seria melhor abortar a missão, desistir e voltar para o clube para ver se o barco teria sofrido algum dano que pudesse comprometer o nosso campeonato.
De volta ao hotel, o esquema foi jogar conversa fora, curtir o final de tarde – e que final de tarde! -, jantar e descansar, pois no dia seguinte o bicho ia pegar e teríamos que tentar conseguir bons resultados.
Já deu pra sentir que seria bem difícil ficar entre os 8 (oito) primeiros, especialmente porque estávamos muito leves para tanto vento. Minha meta pessoal seria ficar entre os 7 (sete) primeiros e tentar uma vaga para as semifinais do próximo mundial. Quiçá tentar ficar entre os 5 (cinco). Muito difícil, mas não custava lutar e tentar. |
_clip_image002_0001.jpg)
|
_clip_image002_0002.jpg)
|
Por volta das 20:30h fomos recepcionados pelo IATE CLUBE DE VITÓRIA e também pelas empresas patrocinadoras do BRASCAT (ARGALIT e BIG AVESTRUZ) , oportunidade em que participamos de um descontraído coquetel. |
_clip_image002_0003.jpg)
Mario Dubeux , Cláudio Teixeira, Luis Schenider e Cláudio Mika
(reunião de dinossauros do Hobie Cat).
|
_clip_image002_0004.jpg)
Jovens catistas na pista de dança.
|
30/04/2007 – Primeiro dia de regatas oficiais
_clip_image002.gif)
Pense num homem borrado!
|
Pois é…ontem começou o Campeonato Brasileiro de Hobie Cat. Com ventos de intensidade média a muito forte, o bicho pegou.
Comecei meu dia bem…acordei cedinho, fui na academia aqui perto do Hotel, fiz uma horinha básica de ginástica e como se não bastasse fui “alongar” um pouco dando uma nadadinha numa piscina que fica na cobertura, em frente ao mar. Eita vidinha mais ou menos! Precisa-se de mais alguma coisa?
Até ai tudo bem, não fosse a pontaria certeira de um bicho. Suponho ter sido um barimbondo rajado que mesmo eu nadando mirou do lado do meu olho esquerdo e pimba - a sorte é que eu estava de óculos de natação – vindo a fincar o ferrão em mim. Que dor da moléstia! Cheguei a ouvir o zumbido do infeliz.
Parei de nadar, dei um tapa no rosto e o F.D.P caiu boiando atordoado na água gelada da piscina.
1- Vou te fuder, corno de uma figa, pensei em voz alta.
Peguei o chinelo havaianas e dei três porradas no safado….Continuou imóvel boiando.
1- Matei esse beste, pensei cá com meus botões.
Peguei o meliante com a ponta dos dedos e acho que senti uma picada no indicador, já que depois ficou incomodando e dolorido. Então dei mais uma chinelada para garantir o assassinato e nadei mais um pouco, mesmo sentindo uma dor do cacete, conseqüência do veneno do animal se espalhando pelo lado esquerdo do meu rosto.
Dai pensei:
1- Vou pegar esse bicho e levar para mostrar para o companheiro Carpes, que é médico, e talvez possa me dizer que bicho é esse e se o veneno ia me fazer mal, já que estava doendo e eu ficando com dor de cabeça.
Peguei aquele porta chave de apartamento de hotel, tipo cartão! Botei o besouro ou marimbondo ou sei lá o quê naquele obtejo e ainda coloquei a chave espremendo o infeliz, mas sem estourá-lo, que era para o Carpes poder vê-lo ainda inteiro….troquei de roupa e desci para tomar café….e a porra da cabeça latejando.
Tomei meu café e quando fui conferir o estado de “saúde” do bicho. E ele se mexeu. Incrível!
1-
Mas como pode, esse bicho tem sete vidas? Eita bicho ruim de morrer!
Melhor, pensei com meus botões, acho que ele merece a liberdade….Já me fudeu mesmo, tomou 4 chineladas, duas espremidas e ainda quer viver…esse é macho e não serei eu quem o tirará do circuito.
1- Vai te embora infeliz, morder outro!
Vou soltá-lo! Fui até o meio fio da calçada em frente ao Hotel Bristol, onde estamos hospedados, e soltei o “bichinho” – a essa altura já estava me afeiçoando a ele. Estava até admirando e gostando dele. E o peste foi andando, cambaleando, em direção ao meio-fio da calcada da movimentada avenida. Vinha um ônibus e eu fui lá, e o peguei com a chave do hotel para ele não me picar denovo e, ato contínuo, o botei na calçada para finalmente nos despedirmos.
1- Tchau seu féla!
O fato é que o bicho se foi mas a dor continuava me incomodando. Coincidências à parte, o fato é que o dia ainda me reservava algumas surpresinhas básicas. E foi ai que tudo começou. Montei o barco que estava no Clube e pontualmente às 10hs estávamos em frente à praia de Camburi, local sede do evento. E a cabeça doendo sob um sol bastante forte.
Resenha, regulagem de barco, reunião de tripulantes com a CR, e às 12hs fomos para a água, em busca de correr a primeira das regatas válidas pelo campeonato. Na primeira regata fiz umas besteiras típicas de desatenção mas deu para ver que dava para andar com o pelotão da frente. Ficamos em 6 (sexto).
Depois da primeira regata eu já não estava tão bem. A cabeça ainda doía, o som tocada no meu IPOD a prova de água - um som maneiro, mas àquela altura dos fatos estava mais era fazendo um reverteres no meu juízo – o sol quente e uma largada normal, logo atrás do Baby (Bernard Arndt), o grande bam-bam-bam do campeonato.
Fomos os primeiros a cambar para a direita e quando me dei por conta estávamos em primeiro, frouxo. Tem até filme circulado por ai registrando essa façanha. Daí, eu disse pra Karol, plagiando uma célebre frase da querida ex-proeira Déa:
Que Baby que nada, eu sou o Tigrão!!!!!!!!
E ela se abrindo com minhas besteiras.
E me fui, dando lenha na máquina. Montamos a primeira bóia bem, em primeiro, e os bichos com dente vindo logo atrás, botando pressão. O vento aumentou, aumentou e continuamos na frente, até que montamos a bóia de popa também na frente. Mas, como estamos com quase 6 kg abaixo do peso mínimo, não agüentamos a pressão e fomos ultrapassados pelos três candidatos mais fortes ao podium (timoneiros Baby, André Montenegro e Claudinho). Brigamos com o Claudinho até o final e terminamos em 4 (quarto). Ótima posição!
E foi quando estávamos voltando para a terceira regata que o mundo dentro de mim simplesmente desabou, da mesma forma que desabaram as torres gêmeas no 11 de setembro. Comecei a marear (enjoar), me deu uma cólica que nunca havia sentido numa situação daquelas, tudo ficou cinza e o que mais queria na vida era vomitar e, de quebra, me servia um troninho de reizinho.
Como não queria ficar pagando mico pra minha proeira – que situação deplorável – agüentei no tranco até onde deu. Mas, chegou um momento que não deu mais, parei o barco, de subido, e me joguei na água, com ou sem tubarão, pois àquela altura dos fatos o que isso importava?!?! E a proeira sem entender nada do que estava acontecendo.
Meu estômago embrulhava, o barco balançava sobre mim e eu me segurando embaixo do trampolim, tentando disfarçar o indisfarçável. A turma passando para a linha de largada e nosso barco estacionado, apenas balançando ao sabor das ondas, no meio da raia.
E os putos passavam dizendo:
1- Sai dai mijão!
Ai se meu problema se resumisse a um reles mijinho, pensava cá com meus botões! E a coisa piorou, piorou, piorou até que não restava um só barco para voltar, e a CR já estava se preparando para largar a última regata do dia.
O vento subindo, o nervosismo aumentando, o som alto tocando no meu pé do ouvido (estava com um IPOD) e eu ali, totalmente impotente. Foi quando resolvi literalmente chutar o pau da barrada e relaxei….eu melhor, me borrei todo, nas calças, debaixo d’água.
1- Ai meu Deus, isso não está acontecendo comigo!!!!!!!!!!!!
A cólica tomou conta de mim, eu suando frio, o vento aumentando e o juiz me dá o tiro preparatório de 5 minutos para a largada.
1- Ai meu Deus, o que é que estou fazendo aqui?
E os malas passavam tirando onda, já que não tinham a mínima idéia do que estava se passando com essa criatura indefesa.
- Sai dai putão, tu vais perder a largada.
- Para de mijar baitola.
- Karol! O que esse porra ta fazendo ai embaixo?
- Vamos Mario, só falta pouco tempo e só mais uma regata, agüenta….não vamos desistir né?! Dizia a Karol.
E eu pensei...pimenta no “fiofó” alheio é refresco.
E assim foram os próximos 4 intermináveis minutos. E foi quando faltavam 1,5 para a largada que eu lavei o que tinha para lavar, tomei fôlego e subi no barco, totalmente despudorado, com vergonha, enjoado, me sentindo uma bosta, literalmente.
E o Todo Poderoso – com maiúscula de propósito – resolveu me dar uma colher de chá. Fez com que a largada fosse cancelada, iniciando nova contagem. E eu imediatamente me joguei na água de novo, mergulhando sob o barco. E tudo voltou.
Eu pensava em voz alta:
1-
Cacete, viajei isso tudo, briguei, me estressei, to andando bem e vou acabar com minhas chances de classificação por causa de um barimbondo filho da puta – sim, porque a essa altura dos fatos a única explicação que eu tinha era o veneno do bicho fazendo efeito no meu corpo – que bostaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
E subi no barco de novo todo borrado e praticamente entregue aos braços do Destino. E a porcaria do IPOD tocando uma música eletrizante no pé do meu ouvido, tipo TUNT’s, TUNT’s, TUNT”s, TUNT’s.
Isso não pode estar acontecendo comigo, eu pensava.
Me enchi de força e parti para a largada, com raiva, com gana…e para melhorar o vento apertou, chegando, segundo soube, a rajadas de 30 knós, uma porranca! Ondas gigantescas, barco virado por toda a parte e nós ali, brigando no bloco da frente.
1- Eu tô podendo, pensei comigo. Todo cagado, mas firme aqui. Até esqueci as dores por uns instantes.
E a proeira Karol gritava:
1-
Pôxa, eu não sabia que era tão valente. Estou surpresa comigo.
E eu replicava:
Já que estou no inferno, que custa dá um beijo no diabo. Vamos botar pra torar! Agora é tudo ou nada. Ou chegamos com essa turma da frente ou capotamos.
E nisso foi até o final. Acabou a regata e nós em 5 (quinto). Mérito para a garra da tripulação, que não se mixou diante dos obstáculos que se apresentaram.
Agora estou aqui, no dia do meu aniversário (01/05). Oito horas da manhã, escrevendo essas memórias não somente para me sacanear, mas para registrar momentos que certamente nunca mais sairão da minha mente.
O moral de tudo e que muitas vezes as situação de limite nos dão importantes lições, e devemos antes de reclamar e se lamentar, tirar proveito da mensagem que nos foi passada, talvez em código, pois tudo é obra do Destino e nós, meros atores desse grande teatro chamado VIDA.
Have a Hobie Day! _clip_image001.gif)
|
01/05/2007 - Segundo dia de regatas oficiais
Dia do meu aniversário.
Pôxa… 4.3 não é mole!
Como a noite passada não foi das melhores, pois passei à base de plasil e cia ltda., acordei meio ressabiado. Comi bem pouquinho para não me lascar de novo e logo fui armar o barquinho.
A praia estava bem movimentada e o povo aproveitando o feriado nacional que todos sabem foi instituído em minha homenagem faz algum tempo. O dia estava prometendo! Já pela manhã cedo o vento soprava forte vindo do sul, mostrando que na hora da regata o bicho ia pegar. E não deu outra. Mas, disso vamos falar no tempo certo. |
_clip_image002_0005.jpg)
Victor Dubeux, colocando a roupa de borracha.
|
_clip_image002_0006.jpg)
Karol fazendo pose na frente do barquinho. Pois, o importante não é ganhar, mas sair bem na foto.
|
Resolvi ceder um pouco das minhas convicções e mudar só um “tiquinho” a regulagem padrão do nosso barco, já que nossa tripulação encontra-se com 5,6 kg abaixo do peso mínimo, conforme já mencionei. Muito pouco peso para um vento tão forte. Fiquei sabendo que na segunda regata as rajadas chegaram a 28 knós, uma porranca de respeito, inclusive com ondas enormes. Bem difícil de manter o barco de pé.
Gosto muito de velejar em vento forte, mas tudo na vida tem limite. Logo cedo, quando abri a janela vi que a brisa silvava ameaçadora, por mais tímida que fosse àquela hora da matina.
Velejar com 28 knós, ondas altas e ainda por cima tão leve, é um verdadeiro desafio. Mas, sobrevivemos e ainda nos demos bem, mantendo a posição de 6° colocados no campeonato. Conseguimos um 6 (sexto) e um 5 (quinto) lugares na primeira e segunda regatas do dia, respectivamente. Isso sem esquecer que eu estava fraco, pois não havia me alimentado bem devido aos “contratempos” do dia anterior, já detalhadamente relatados. Sem comentários!
A CR utilizou o percurso 1 para a primeira regata (5 pernas) e o percurso 2 para a segunda regata (4 pernas). O bom senso reinou e fomos liberados da terceira regata do dia, que se realizada teria sido uma temeridade.
Após voltarmos tivemos que socorrer o barco do Carpeta que estava capotado e ia dando nas pedras. Capturamos um bote que estava ancorado em frente ao local do evento e fomos ( Eu, Adriano e Remo ) ajudar o Carpes e o Schneider, pois o pessoal de resgate não se mostrou com intimidade com esse tipo de situação. Se tivéssemos demorado mais 10 minutos o barco teria se ferrado nas pedras. Mas, no final, o trio de super heróis tipuniquins conseguiu a façanha de trazer o barco de volta, são e salvo. E o melhor, nossa equipe continua sem nenhum desfalque.
|
_clip_image002_0007.jpg)
Remo e Carla, rindo depois do sufoco.
Olha a testa do homem depois da capotada!
Quase perdeu o mini proeiro.
|
E aí começaram as surpresas para esse meu dia de aniversário.
Sempre senti uma necessidade danada de comemorar as datas festivas. Não gosto de passar em brancas nuvens meu aniversário. Sempre fiz questão de receber amigos e, no mínimo, ter um bolinho.
Eis que para minha total surpresa quando voltei do resgate, além de uma salva de palmas fui recebido pelos meus amigos – na classe hobie cat mais que competidores, somos amigos e irmãos no esporte que escolhemos – com uma deliciosa torta de chocolate e velinha.
Como pequenas atitudes fazem toda a diferença. Sentir-se querido não tem preço. E como necessito disso!
E como se tudo isso não bastasse, o Machadão, um perfeito anfitrião, convidou um reservado grupo de 12 pessoas para comer uma massa em seu apartamento, justamente em comemoração ao meu aniversário. O jantar ficaria ao encargo do Cláudio Teixeira (SP). No final, havia mais de 20 pessoas no apartamento do homem, todos querendo participar da festa que me foi reservada. Sem comentários. Ambiente, alegria, confraternização, amizade, calor humano, tudo isso junto. Pensei comigo: Apesar de tudo o que tenho enfrentando posso me considerar uma pessoa privilegiada, justamente porque consigo agregar, divertir os outros e me divertir também, mesmo que essas alegria sejam passageiras. Mas, afinal, o que é eterno nessa vida?
|
_clip_image002_0008.jpg)
Machadão, uma criança grande!
|
_clip_image002_0009.jpg)
Carpeta explicando a sua capotada do dia!
|
_clip_image002_0010.jpg)
Karol estava com saudade da mamãe e teve que ser chacoalhada para se ligar.
|
Noooossa filha!
Gustavo e Carpeta, animadinhos.
|
Voltei para o hotel pois já estava jogando a prorrogação, ou seja, havia passado muito mal o dia anterior e ainda não estava seguro das minhas condições físicas. E a turma não se contentou com tanta festa e me telefonou (Baby, Claudinho, Schneider, Mika, etc….) para que eu fosse encontrá-los num tal de barzinho qualquer para tomar todas. Vixe, pensei, to fora! Não agüento esse tranco. É muita carga pro meu radinho de pilha. Enrolei o povo e fui dormir.
02/05/2007 – Dia de Folga
Nossa Senhora! Não quero ver um Hobie Cat nem pintado de ouro, pensei comigo!
Um dia que seria para ser calmo e destinado ao descanso do guerreiro. De certa forma assim o foi, na medida em que nem cheguei perto do meu barco, apesar de ter dado uma passadinha rápida pelo “circo” do campeonato montado na praia de Camburi. Ajudei a
arrumar o mastro do barco do Carpes/Adriano e regulei o leme do barco de um parceiro do HC 14 aqui de Vitória.
Mas, como advogado (profissional liberal) não tem folga nem quando está em férias, e ainda tem que ficar dando desculpa porque ninguém entende que também somos gente e precisamos descansar, precisei voltar para o hotel e preparar dois recursos e mais uma defesa num processo de licitação, tendo encerrado essa empreitada por volta das 12hs, quando finalmente consegui aceitar o convite do Machadão e fomos passear em sua lancha (Eu, Machadão, Baby, Claudinho, o proeiro do Claudinho que esqueci o nome, Victor, Karol e Beatriz) dando a volta na Ilha e almoçando num local bastante simpático, perto de uns mangues de uma beleza ímpar. |
_clip_image002_0012.jpg)
Mario e Victor, pai e filho unidos no esporte.
|
E tome buzina no pé do ouvido!
|
_clip_image002_0014.jpg)
Victor Di Caprio, tirando uma casquinha na proeira Karol.
|
Voltamos pelas 16hs e ainda fomos cavalgar. É que o Machadão, além de Avestruz, também cria uns cavalos da raça Manga-Larga Machador e resolveu nos levar para uma cavalgada no final da tarde e que só terminou pelas 19:30h, sob uma lua cheia de fazer inveja. Foi um programa diferente, alternativo e que me fez muito bem, afinal de contas gosto muito desses animais e de certa forma me reportou aos meus tempos de infância.
E assim termina nosso dia de folga. Vou comer e dormir pois amanhã tem mais regata e a previsão é que o vento seja fraco. Se a previsão se confirma teremos um dia de regatas muito pensadas e táticas, o que não é do meu agrado, pois sempre fico com dor de cabeça Preciso me concentrar!
Mas, pelo que acabo de ver no CPTEC, talvez o vento não seja tão fraco assim. O ideal para nós seria uns 15 knós mas, como não dá para escolher, “temos que comer a comida que nos é servida no prato” (frase que um dia escutei do campeão Robert Scheidt). Vamos esperar para ver no que vai dar. |
_clip_image002_0015.jpg)
|
03/05/2007 - Terceiro dia de regatas oficiais
O CPTEC errou feio!
Às 8hs da manhã percebi uma suave brisa. O céu estava azul, sem sobra de nuvens.
A previsão não se confirmou e tivemos nada menos que três regatas na merreca, como eu havia imaginado. Mas, vamos narrar o dia pelo começo.
Acordei pelas 8:45h, um tantinho tarde em comparação com os dias anteriores. Acho que a cavalgada do dia anterior me pegou de jeito.
Olhei pela sacada e confirmei que o dia seria de pura merreca, pois o sol já estava batendo forte. Pensei que a previsão do CPTEC poderia se confirmar e o vento ir aumentando paulatinamente, mas infelizmente o ventinho esperado não entrou e tivemos que competir
três regatas com o mínimo que tinha (fraquinho, fraquinho), um verdadeiro exercício de paciência.
O bom foi ver o Mika andando no bloco da frente, entusiasmado. O Carpeta/Adriano tambem andaram direitinho e da mesma forma o resto da nossa equipe. O vento fraco mistura muito a flotilha toda, mas haja paciência.
Até o meu Victor disse assim:
Pai, seria bom que amanhã entrasse 25 knós, dai a turma ia virando toda e eu e o Schneider poderíamos nos segurar e ganhar umas posições.
Gostei de ouvir aquilo. Mostra que o meu menino é valente e vai dar bom num futuro próximo. O problema é que é muito brabo e anda me peitando demais. Tenho muita dificuldade em lidar com isso, mas tenho optado por seguir meu instinto. Espero errar com ele o menos possível. Mas, criar um filho adolescente não é fácil. Admiro quem o saiba.
Pois bem, voltando ao trilho da conversa inicial, o fato é que a última regata acabou a tardinha e fomos recepcionados com um churrasco promovido pela arretada flotilha da Paraíba. Os caras estão mais organizados que partido comunista. Churrasquinho gostoso, simpático e bastante descontraído, na praia mesmo. Enchi o bucho!!!!!!
Amanhã teremos mais 2 regatas, as últimas do campeonato. Vou tentar manter a nossa excelente posição e quiçá pegar o Tio Afonsinho e sua proeira Bea. Vai ser dureza, já que a dupla está andando muito e quando vejo eles estão sempre pertinho de nós. Mas, sem ansiedade, vamos deixar ao encargo do destino. O que tiver que ser, será!
Estou me preparando agora para ir na Assembléia Geral da Classe, onde discutiremos várias coisas de interesse do esporte, inclusive marcaremos o próximo evento nacional.
04/05/2007 – Quarto dia de regatas oficiais
Êita tempinho bem murrinha!
Acordei novamente perto das 9h. Olhei pela janela e o céu estava cinza e a chuva caindo. Como o campeonato foi antecipado em um dia, a brincadeira acabou hoje mesmo. Estava prevista a realização de duas regatas, a nona e a décima da série.
A missão da nossa tripulação seria tentar manter o excelente 6° lugar e, se fosse o caso, beliscar o traseiro do Afonsinho (RJ) que estava apenas 3 pontos a nossa frente. Uma tarefa bem complicada, já que a dupla Afonso/Beatriz estava com um andamento bem consistente. Mas, de qualquer forma valia a pena tentar. |
Atrás de nós, quem poderia ameaçar a nossa classificação seria a dupla capixaba do timoneiro Bruno Menezes.
E o Destino, sentado a minha frente, sorria com benevolência. E lá fomos para a água por volta das 11:45h. Pensei comigo:
- Isso hoje não vai prestar!
O vento já estava bem forte, o que me obrigou a mudar radicalmente a regulagem do barco, tentando de alguma maneira aliviar a sua potência.
O fomos ao encontro da Comissão de Regatas.
- Vixe Maria, quanta onda! Hoje promete ser pior que nos dias anteriores. Aqui é oito ou oitenta. Ou não venta ou tem vento demais.
Antes da largada já haviam alguns barcos danificados. Ondas altíssimas. Vento muito forte e os barcos “frevendo” - termo usado pelos paraibanos para dizer que o barco treme todo. Cenário pra dar medo. E confesso que fiquei com um pouco de medo. Menos por mim e mais pela minha proeira e pelo meu filho Victor que também estava na raia correndo com o Schneider (RS).
Perto da largada procurei o Victor e não achei o barco, o que me fez pensar que haviam desistido de competir em razão do mau tempo. Foi quando vi uma coisa boiando no meio do oceano, todo quebrado e duas pessoas trepadas na canoa. E foi que vi que eram exatamente o Schneider e o Victor. O barco deles quebrou o toco que sustenta o casco no quadro e simplesmente afundou (virou um troço) Cheguei perto e vi que estava tudo bem com eles e que o bote da salvatagem já estava na área. Confesso que fiquei aliviado, mesmo vendo toda aquela avaria, pois a regata que se aproximava seria muito punk e eu não ficaria tranqüilo em saber que o Victor estaria nela também.
E deram a largada da primeira regata.
- Puta que pariu Karol, não consigo segurar essa bosta de barco. Vamos tentar completar a regata, nem que seja em último.
- Mário, tu achas que dá pra correr?
- Karol...o que acho é que essa CR é muito irresponsável, nos colocando numa regata numa condição dessas. Mas, se esses porras vão eu vou também. Não quero perder o nosso sexto lugar. Os nossos dois adversários diretos estão na área. Agora a medida é toda. Te segura, trinca os dentes e bota pra torar. |
E lá fomos nós. Rumo ao inferno. O horizonte era cinza, chuvoso, ondas altíssimas e vento pra deixar um ventilador com inveja.
Dizem que a CR deu a largada e cancelou a regata em seguida, mas isso ninguém viu. Mais uma falha, já que num caso desses deveria uma lancha rápida passar em frente à flotilha avisando do cancelamento. Ou eles queriam que nós olhássemos pra trás e viéssemos capotando até o Rio de Janeiro?
O fato é que corremos uma perna de contra-vento e uma perna de popa para somente então tomarmos conhecimento do cancelamento. Só quem veleja num Hobie Cat sabe que não se consegue ficar olhando pra bandeirinha numa situação daquelas. Temos que nos preocupar em nos manter de pé e numa velocidade enorme. É adrenalina pura a veia!
Conseguimos ultrapassar o primeiro dos dois adversários diretos e já estávamos chegando no segundo deles quando resolvi dar um “JIBE” - manobra para mudar o lado das velas na perna de popa – e não deu outra. A proeira Karol estava posicionada muito na frente do barco e capotamos de frente. Lona!
E ai, aquela enxurrada de palavrões e ataque de “bichice”, como diria meu ex-proeiro Rodrigo.
Fomos rápidos e até conseguimos desvirar o barco, mas o desgraçado virou para o outro lado. E a turma passando, sendo que a bosta da regata nem estava valendo. Mas disso não sabíamos.
Depois de fazer força, brigar com o barco, gritar, xingar a mãe de um monte de gente, finalmente conseguimos botar o barco de pé. Subimos rapidinho e tocamos em frente. Andamos um pouco mais e tomamos conhecimento do cancelamento da regata. Daí me assolou uma mistura de raiva e ao mesmo tempo agradecimento, já que se a regata estivesse valendo nós teríamos nos ferrado.
E quando estávamos virados o meu amigo Bruno, um dos meus dois adversários diretos, passou por nós se abrindo, gozando da nossa situação. O castinho lhe chegou a cavalo. É que na regata seguinte ele se ferrou e o barco se quebrou todo. Uma lástima!
O resultado da nossa capotagem foi que o mastro entortou (prejuízo à vista). Corremos as outras duas regatas com o mastro torto e o barco bem descontrolado por conta disso. Mas só percebemos o problema quando chegamos ao clube, após o termino das regatas do dia.
O resumo foi que conseguimos manter o nosso sexto lugar, o que foi muito bom para nós, na medida em que na nossa frente só havia timoneiros ex-campeões brasileiros. A diferença entre nós e o sétimo colocado também foi expressiva. |
A flotilha gaúcha obteve os seguintes bons resultados:
- Mario Roberto Arantes Dubeux e Karol Bauermann (6° Lugar Geral);
- Luis Antônio Schneider e Victor Moura Dubeux (3° Lugar Máster);
- Gustavo Lis e Cláudia Welter (8° Lugar Geral);
- Arthur Carpes e Adriano Schneider (1° Lugar Gran Máster);
- Cláudio Mika e Tafarel Marçal (9° Lugar Geral).
À noite aconteceu a festa de encerramento e entrega de prêmios no Iate Clube do Espírito Santo. Um grupo musical local, muito bom por sinal, animou a festa.
|
Foi servida uma deliciosa paeja entre outros aperitivos.
_clip_image002_0018.jpg)
|
A festa estava animada mas, como tenho alguma experiência em organizar eventos, e entendo que o cerimonial e a festa em si deve ser uma das coisas mais importantes, e deve ser encarada nos mínimos detalhes. É o fechamento ou coroação de todo um processo.
Cada entrega de prêmio deveria receber a atenção necessária, e sempre uma por vez.
Correndo o risco de ser considerado um chato, tenho que registrar minha tristeza pelo que pude notar, já que percebi erros imperdoáveis numa entrega de prêmios, soando até como uma espécie de improviso. Alguns até podem gostar que as coisas sejam assim - sem muita frescura - , mas eu penso diferente.
O fato é que essa suposta “desatenção” provocou um grande mal estar na equipe gaúcha, já que os verdadeiros terceiros colocados no certame (categoria máster) não foram chamados ao podium, o que deixou bastante chateada a dupla (Schneider/Victor (RS) ), que além de se tratar do timoneiro Capitão da Flotilha Gaúcha e que mobilizou a equipe para estar no evento, inclusive teve um grande prejuízo com a quebra de seu barco.
E quanto ao Victor, proeiro do Schneider e meu filho, pensei:
- Isso não se faz com uma criança. Isso fica marcado. Olha só a cara de desgosto do Victor depois de tanta luta. Foi de cortar meu coração!
É verdade que o Machadão tentou remendar, mas o estrago estava feito. O Schneider foi embora antes de terminar a festa - teve um ataque de bichice, mas perfeitamentecompreensível, já que encarou o episódio como uma falta de consideração -, e o Victor ficou com essa cara de bunda (vide fotos seguintes) e eu tentando ajeitar as coisas.
Deixa pra lá. O que sei é que o Machadão, nosso amigo, não teve culpa. Foi, isto sim, falha na organização, que não checou as coisas como deveria, apesar do esforço da turma de apoio. O que sei é que todos nós temos o direito de errar. Quem já não errou que atire a primeira pedra? |
_clip_image002_0019.jpg)
|
_clip_image002_0020.jpg)
|
AQUI OS FINALMENTES.......
Aqui vale um registro, QUANTO A QUESTÃO SEGURANÇA NA RAIA. Quem não tiver competência que não se estabeleça. Não adianta chamar um campeonato e não criar condições de segurança para realizá-lo. Precisamos ser chatos sob esse aspecto. A segurança na raia estava precária ou deficitária. Muitos acidentes e pessoas despreparadas para o socorro, fato que por pura sorte não provocou algumas tragédias. E se houvesse algo de conseqüência grave, de quem seria a culpa? A ABCHC precisa pensar a respeito e fiscalizar melhor os seus eventos.
Ainda voltando à festa de encerramento, confesso que não gostei nadinha do apresentador/locutor ou seu lá como intitular o “simpático” senhor, um cara bacana mas muito espalhafatoso, que falava muito alto, mas parecendo um locutor de rodeio. Mas, deve ter gente que tenha gostado.
O fato é que a entrega de prêmios foi muito atropelada. Talvez pudesse ter sido mais adequada ao momento, respeitando o esforço de cada uma daquelas pessoas que conseguiram ganhar um prêmio. Mas, as coisas são como são e devemos nos espelhar nas experiências para melhorar. Essa é a minha mensagem. |
_clip_image002_0021.jpg)
|
_clip_image002_0022.jpg)
|
Por derradeiro, vale um registro. No Hobie Cat 14, a maior flotilha presente foi a da Paraíba, que aliás estará sediando o próximo campeonato nacional (novembro de 2008). No Hobie Cat 16 a maior flotilha foi a do Rio Grande do Sul, sempre presente em TODOS os campeonatos.
THE END AND BONS VENTOS! |
Diário de Bordo
Campeonato Brasileiro de Hobie cat 16
Escrito pelo Velejador Mario Roberto Arantes Dubeux
OBS: AVISO DE REGATA(CLICK AQUI) |
|
|
|